A pouco mais de uma semana do primeiro turno das Eleições 2026, a disputa pelo Governo da Paraíba ganhou uma frente paralela nos tribunais. Os grupos jurídicos ligados às candidaturas de Cícero Lucena (MDB) e Efraim Filho (PL) intensificaram questionamentos sobre pesquisas eleitorais, levando ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) pedidos que vão desde acesso aos dados internos dos levantamentos até a suspensão de sua divulgação.
A movimentação ocorre justamente no momento em que uma sequência de novas pesquisas tenta medir o cenário da disputa estadual antes da votação de 4 de outubro.
Nos casos verificados pelo Polêmica Paraíba, porém, as medidas têm naturezas diferentes. Há pesquisas que foram alvo de pedidos para impedir a divulgação, outras em que os partidos solicitaram apenas fiscalização e acesso aos dados e casos em que a Justiça negou a tentativa de suspensão.
O episódio mais recente envolve a nova pesquisa Anova/PB Agora, que deveria ser divulgada nesta quarta-feira (23), mas teve a publicação suspensa cautelarmente após questionamento da campanha de Efraim Filho.
Um dia antes, a coligação de Cícero havia acionado o TRE-PB em relação à nova pesquisa Quaest, pedindo acesso aos mecanismos de controle e aos dados utilizados pelo instituto. Nesse caso, a pesquisa acabou divulgada normalmente.
Efraim consegue suspender nova Anova
A nova pesquisa Anova/PB Agora foi registrada na Justiça Eleitoral sob os números PB-06564/2026 e BR-09420/2026.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores em 70 municípios paraibanos entre os dias 20 e 22 de setembro, com margem de erro informada de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
Os resultados estavam previstos para serem divulgados nesta quarta-feira (23).
A campanha de Efraim Filho, no entanto, acionou a Justiça Eleitoral questionando aspectos relacionados ao registro do levantamento e conseguiu uma suspensão cautelar da divulgação.
O Instituto Anova recorreu da decisão e tenta obter autorização para publicar os números.
A suspensão tem caráter cautelar e, por si só, não representa uma conclusão de que houve fraude, manipulação dos resultados ou irregularidade estatística.
Cícero foi ao TRE antes da divulgação da Quaest
A movimentação jurídica também ocorreu em torno da segunda pesquisa Quaest encomendada pelas TVs Cabo Branco e Paraíba.
Antes da divulgação, a coligação encabeçada por Cícero Lucena acionou o TRE-PB para obter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da pesquisa PB-01325/2026.
O grupo pediu que a Quaest apresentasse documentos relacionados à coleta dos dados, identificação das pessoas responsáveis pelo trabalho de campo, planilhas individuais ou arquivos equivalentes, relatório entregue ao contratante e questionário aplicado aos entrevistados.
Nesse caso, porém, o pedido localizado pelo Polêmica Paraíba não era de suspensão ou anulação dos resultados, mas de fiscalização.
A pesquisa foi divulgada normalmente na noite de terça-feira (22).
Foram entrevistados 804 eleitores entre os dias 18 e 21 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%.
No cenário estimulado para o Governo, o levantamento registrou Lucas Ribeiro com 49%, Efraim Filho com 16% e Cícero Lucena com 15%.
Data Ranking também foi parar na discussão judicial
Outra pesquisa prevista para a reta final foi uma nova rodada do Data Ranking/Fonte83.
A divulgação estava anunciada para segunda-feira (21), durante o programa Ô Paraíba Boa. Era uma nova rodada, diferente da pesquisa PB-09037/2026, divulgada em 10 de setembro.
Os números, porém, não foram apresentados na data inicialmente anunciada.
O apresentador Fabiano Gomes afirmou posteriormente que a defesa relacionada à pesquisa aguardava desde o sábado uma manifestação da Justiça Eleitoral.
Até a manhã desta quarta-feira (23), a informação pública localizada pelo Polêmica Paraíba era de que a Justiça ainda não havia decidido nem pela autorização nem pela proibição definitiva da divulgação.
Por isso, o caso não pode ser classificado, neste momento, como pesquisa definitivamente proibida.
Também não foi localizada documentação suficiente para atribuir com segurança o pedido especificamente à campanha de Cícero ou à de Efraim.
Ações contra pesquisas não começaram agora
A atual movimentação jurídica não é um fenômeno restrito aos últimos dias da campanha.
O MDB, partido de Cícero Lucena, já havia questionado diferentes pesquisas ao longo de 2026.
Em agosto, a coligação de Cícero tentou suspender a pesquisa Real Time Big Data PB-07790/2026.
O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 19 e 22 de agosto.
A representação questionava um formulário eletrônico vinculado à Real Time Mídia divulgado por meio de
A coligação pediu a suspensão da divulgação, mas o relator Bianor Arruda Bezerra Neto negou o pedido de urgência. O magistrado considerou, naquele momento, que os elementos apresentados não demonstravam suficientemente que as supostas irregularidades haviam comprometido a amostra.
A pesquisa foi divulgada.
MDB também tentou barrar DataTrends
A pesquisa DataTrends PB-09547/2026 também foi alvo de uma tentativa de suspensão apresentada pelo MDB.
O partido questionou pontos da metodologia, entre eles informações relacionadas ao município de residência e domicílio eleitoral dos entrevistados, fontes públicas utilizadas, plano de ponderação da amostra e tratamento da segunda opção de voto para o Senado.
O MDB pediu que a divulgação fosse impedida.
O TRE-PB, porém, rejeitou o pedido de tutela de urgência, mantendo a pesquisa autorizada.
O levantamento havia ouvido 1.200 eleitores entre 27 e 29 de julho, com margem de erro informada de 2,83 pontos percentuais.
PL também já havia acionado a Justiça para fiscalizar Seta
O PL, partido de Efraim Filho, também já havia recorrido à Justiça em relação a outro instituto antes do atual episódio da Anova.
O partido acionou o Judiciário para obter acesso aos dados internos da pesquisa Seta PB-00866/2026, realizada em Santa Rita.
Foram solicitados elementos como sistema de controle da coleta, identificação dos entrevistadores, planilhas individuais, mapas, relatório entregue ao contratante e questionário.
A Justiça deferiu o acesso.
Nesse episódio, entretanto, não houve decisão proibindo a pesquisa. O procedimento tinha finalidade de fiscalização.
Seta também enfrentou ações do MDB
O próprio Instituto Seta, parceiro do Polêmica Paraíba, foi alvo de ações anteriores apresentadas pelo MDB.
Na pesquisa estadual PB-04436/2026, o partido entrou com representação pedindo a impugnação do registro, suspensão da divulgação e retirada das publicações já realizadas.
A Justiça concedeu liminar determinando a suspensão dos resultados e a retirada das publicações enquanto o processo seguia em análise.
Outra pesquisa Seta, a PB-04859/2026, realizada em Cajazeiras, também foi impugnada pelo MDB e recebeu decisão liminar suspendendo a divulgação.
As decisões localizadas são referentes às medidas cautelares. Por isso, sem a decisão posterior de mérito, não é correto afirmar que essas duas pesquisas específicas permaneceram definitivamente proibidas.
Nem todo questionamento tenta impedir publicação
A sequência de ações exige uma distinção importante.
Um pedido de fiscalização não equivale a um pedido de suspensão.
No caso da Quaest, por exemplo, a coligação de Cícero buscou acesso aos dados internos e a pesquisa foi divulgada.
No caso da nova Anova, a campanha de Efraim questionou o levantamento e houve efetivamente uma decisão cautelar impedindo sua publicação, contra a qual o instituto recorreu.
Já na Real Time Big Data e na DataTrends, o grupo de Cícero pediu a suspensão, mas a Justiça não acolheu os pedidos urgentes.
Pesquisas entram no centro da batalha jurídica
O conjunto de processos revela que os levantamentos de intenção de voto passaram a ocupar espaço relevante nas estratégias jurídicas das duas principais candidaturas de oposição ao governador Lucas Ribeiro (PP).
O grupo de Cícero possui um histórico mais amplo de ações contra pesquisas ao longo de 2026, incluindo tentativas de suspensão e pedidos de fiscalização.
O PL e a campanha de Efraim também recorreram à Justiça para fiscalizar levantamentos e, nesta semana, conseguiram a suspensão cautelar da nova pesquisa Anova/PB Agora.
A Justiça Eleitoral ressalta que o simples registro de uma pesquisa no PesqEle não significa aprovação prévia de seus resultados ou de sua metodologia. O TRE-PB não realiza controle prévio dos números e atua quando provocado pelos legitimados.
Na reta final da campanha, portanto, os números das pesquisas deixaram de ser disputados apenas politicamente. Eles também passaram a ser discutidos nos autos do TRE-PB.
Fonte: Polemicaparaiba