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Ucrânia retoma negociações para compra de Super Tucano da Embraer

O governo da Ucrânia busca adquirir caças Super Tucano da Embraer, tentando contornar o veto do governo Lula ao fornecimento de armamentos ao país em guerra com a Rússia.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

O governo da Ucrânia voltou a negociar a aquisição de caças de ataque leve Super Tucano, fabricados pela Embraer. A iniciativa visa driblar o veto do governo Lula ao fornecimento de equipamentos militares ao país em conflito com a Rússia.

Anteriormente, durante a gestão de Jair Bolsonaro, em 2022, a Ucrânia já havia tentado comprar os aviões, mas também recebeu uma negativa, em razão da relação comercial entre Brasília e Moscou. Em 2023, Lula manteve a posição de não reabrir as negociações.

A nova rodada de conversas foi divulgada pelo ex-presidente ucraniano Petro Porochenko, que, apesar de ter perdido a reeleição em 2019, ainda exerce influência nos negócios do país. Ele afirmou que, durante a feira aeroespacial MSPO-2026, realizada na Polônia, foi alcançado um acordo preliminar com a Embraer para a seleção de 24 Super Tucano.

Porochenko mencionou que os aviões seriam capazes de interceptar e destruir drones. A agência ucraniana Interfax divulgou uma imagem do ex-presidente conversando com representantes da Embraer no estande da empresa.

O ex-presidente também se reuniu com o ministro da Defesa ucraniano, Iehvenni Khmara, e declarou que a Ucrânia negociaria com um país da Otan que possui contratos com o Brasil.

A Embraer foi contatada para esclarecer a natureza das conversas, mas não respondeu até o momento. É possível que Porochenko esteja apenas especulando sobre o negócio, já que não houve confirmação oficial de Kiev.

O Super Tucano, um turboélice avançado, é considerado eficaz para interceptar drones, especialmente aqueles que voam a velocidades menores. Atualmente, apenas Portugal opera o modelo na Otan, com cinco das doze unidades já em serviço.

A Polônia também demonstrou interesse na aeronave, mas ainda não firmou contratos. Nos EUA, restam poucos caças que foram enviados ao Afeganistão, mas são modelos mais antigos e não atendem aos padrões da Otan.

Entretanto, a legislação brasileira impede a reexportação de produtos de defesa sem autorização explícita do governo. O caso do Super Tucano é emblemático, já que os EUA vetaram sua exportação para a Venezuela devido à presença de peças americanas.

Fontes do governo brasileiro afirmaram que nenhum pedido de autorização para a venda chegou ao Itamaraty e que o veto ao fornecimento militar à Ucrânia permanece em vigor.

As divergências entre Brasil e Ucrânia têm gerado atritos. O Brasil, fundador do Brics ao lado da Rússia, condenou a invasão de 2022, mas não se juntou às sanções contra Moscou. A relação comercial com a Rússia inclui a importação de fertilizantes e diesel.

Durante a presidência de Bolsonaro, a venda de blindados Guarani e munições para a Ucrânia foi vetada. Lula também proibiu a exportação de munições de tanques alemães Leopard-1, o que gerou críticas de Zelenski e retaliações da Alemanha.

A posição do Brasil em relação ao conflito tem sido alvo de críticas e agradecimentos, com Zelenski cobrando ações mais decisivas e Putin elogiando a neutralidade do governo brasileiro.

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