Um prédio na Faixa de Gaza, que já havia sofrido danos em ataques aéreos, desabou nesta quarta-feira, causando a morte de ao menos 21 pessoas, entre elas 12 crianças, conforme informações da Defesa Civil local, controlada pelo Hamas.
Ainda há dezenas de pessoas desaparecidas sob os escombros, e as equipes de resgate estão em busca de sobreviventes. O edifício, que possuía sete andares e quatro apartamentos por andar, já havia sido atingido várias vezes durante os conflitos dos últimos dois anos, comprometendo sua estrutura.
Apesar das recomendações das autoridades para que os moradores não retornassem ao prédio, muitos optaram por arriscar, pois não havia alternativas de moradia. Estima-se que cerca de dez famílias residiam no local.
Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil, destacou a falta de opções para os moradores:
Eles não têm outra opção. Sem tendas ou moradias disponíveis, estão vivendo em prédios rachados e danificados, apesar do risco de desabamento.
Vídeos mostraram equipes de resgate tentando retirar vítimas dos escombros, incluindo uma criança. A maioria dos edifícios em Gaza foi severamente danificada pelos bombardeios, com cerca de 2.000 estruturas em risco de colapso, segundo a Defesa Civil.
Paralelamente, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que o país está preparado para retomar a guerra em Gaza, afirmando que o desarmamento do Hamas não ocorrerá e que o Exército está pronto para implementar um plano de expulsão dos palestinos.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, negou qualquer intenção de deslocar a população de Gaza à força. O governo de Gaza, controlado pelo Hamas, atribuiu o desabamento à falta de progresso na reconstrução do território.
Desde o cessar-fogo de outubro, Israel permitiu a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza, mas continua a restringir equipamentos essenciais para os esforços de resgate, dificultando a localização e identificação de vítimas.
Alessandro Mrakic, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, relatou que as operações de resgate são complicadas pela falta de maquinário adequado, com algumas equipes retirando escombros manualmente.
Desde novembro de 2025, a Defesa Civil palestina recuperou mais de 630 corpos de prédios destruídos, enquanto autoridades estimam que mais de 8.000 pessoas ainda estejam soterradas.
Volker Türk, chefe de direitos humanos da ONU, expressou preocupações sobre possíveis crimes de guerra, mencionando que restos mortais de famílias inteiras estão sendo encontrados entre os escombros.
Israel nega as acusações de ataques deliberados a civis e afirma que o Hamas utiliza a população como escudo humano. A ONU pede acesso a todas as áreas de Gaza para preservar evidências.
Fonte: Noticiasaominuto