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Disputa pelo Governo da Paraíba: Divergências nas Pesquisas

Se um eleitor paraibano decidisse entender a corrida pelo Governo do Estado olhando apenas as pesquisas divulgadas nas últimas semanas, provavelmente terminaria com mais perguntas do que respostas. Lucas Ribeiro (PP).....
Foto: Polêmica Paraíba

Se um eleitor paraibano decidisse entender a corrida pelo Governo do Estado olhando apenas as pesquisas divulgadas nas últimas semanas, provavelmente terminaria com mais perguntas do que respostas.

Lucas Ribeiro (PP) lidera. Até aí, AtlasIntel, Quaest e Instituto Índice concordam. Depois disso, praticamente tudo muda.

Dependendo da pesquisa escolhida, Efraim Filho (PL) pode ser o principal adversário do governador, com mais de dez pontos de vantagem sobre Cícero Lucena (MDB). Em outro levantamento, Cícero e Efraim estão praticamente juntos. E há ainda um terceiro cenário no qual Cícero deixa de disputar o segundo lugar e aparece colado em Lucas na própria liderança.

Não são diferenças pequenas. São, praticamente, três retratos diferentes da mesma eleição.

Na AtlasIntel, divulgada nesta semana, Lucas aparece com 42,4%. Efraim chega a 30,9% e Cícero tem 19,8%.

Na Quaest, Lucas tinha 38%, enquanto Cícero aparecia com 19% e Efraim com 18%.

Já O Instituto Índice Apresentou Uma Fotografia Completamente Diferente

Já o Instituto Índice apresentou uma fotografia completamente diferente: Lucas com 33,6%, Cícero com 32,2% e Efraim com 18,5%.

Colocados lado a lado, os números provocam uma pergunta: quem está realmente disputando o segundo turno contra Lucas?

Hoje, a resposta depende de qual pesquisa está em cima da mesa.

Cícero Lucena: cenários distintos nas pesquisas

Para Cícero, duas pesquisas contam histórias completamente diferentes

Talvez nenhum candidato seja tão afetado pelas diferenças entre os levantamentos quanto Cícero Lucena.

Na Atlas, ele aparece com 19,8%. No Índice, chega a 32,2%. São 12,4 pontos percentuais de diferença.

Mas o impacto político é ainda maior do que o matemático. No cenário da Atlas, Cícero aparece distante de Efraim e precisaria recuperar terreno para entrar efetivamente na disputa pelo segundo turno.

No Índice, ocorre exatamente o contrário: Cícero está tecnicamente empatado com Lucas e aparece muito à frente de Efraim.

Em uma pesquisa, portanto, ele precisa correr atrás do segundo colocado. Na outra, disputa o primeiro.

É difícil encontrar exemplo melhor de como duas fotografias eleitorais podem produzir narrativas políticas completamente distintas.

Efraim Filho: crescimento significativo em um dos levantamentos

Com Efraim acontece o movimento inverso

Quaest e Índice praticamente concordaram sobre o senador: 18% em uma e 18,5% na outra.

Então veio a Atlas e registrou 30,9%.

De candidato disputando voto a voto com Cícero, Efraim passou, no retrato da Atlas, a principal adversário de Lucas.

É uma diferença grande demais para ser ignorada. E também grande demais para ser explicada automaticamente como simples crescimento eleitoral.

Entre Quaest/Índice e Atlas houve campanha, televisão, caravanas, debates e intensificação das ruas. É perfeitamente possível que o eleitorado tenha se movimentado.

Mas afirmar que Efraim efetivamente saltou de aproximadamente 18% para 31% exigiria uma comparação dentro da mesma metodologia.

É justamente aí que mora o perigo das leituras apressadas. Lucas lidera todas, mas até a liderança muda de tamanho

Lucas Ribeiro: liderança consistente, mas com margens variáveis

Lucas é o único candidato que consegue atravessar os três levantamentos preservando a mesma posição.

É primeiro na Atlas, primeiro na Quaest, e numericamente primeiro no Índice.

Isso não é irrelevante. Pelo contrário: é provavelmente o dado mais consistente que emerge da comparação. O problema é que nem mesmo a liderança de Lucas significa exatamente a mesma coisa nas três pesquisas.

Na Atlas, ele tem 42,4% e abre 11,5 pontos sobre Efraim.

Na Quaest, tinha 38% e vantagem de 19 pontos sobre Cícero.

No Índice, registra 33,6% contra 32,2% de Cícero. Uma diferença de apenas 1,4 ponto e, portanto, um empate técnico considerando a margem de erro.

Em outras palavras, Lucas pode ser visto como favorito com vantagem confortável ou como candidato envolvido em uma disputa praticamente voto a voto pela liderança.

Mais uma vez: depende da pesquisa.

Metodologias diferentes e o impacto do horário eleitoral

Então alguma pesquisa está errada?

Essa talvez seja a pergunta mais tentadora. E também a mais perigosa.

Não existe, até aqui, elemento que permita afirmar que determinado instituto está “certo” e outro “errado”.

Atlas, Quaest e Índice trabalham com metodologias diferentes.

A Atlas ouviu 1.207 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro por recrutamento digital aleatório.

A Quaest entrevistou presencialmente 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto.

O Índice realizou 2 mil entrevistas presenciais entre 20 e 22 de agosto.

Os períodos não são exatamente iguais. As amostras não são iguais. A forma de chegar ao eleitor também não é igual. Os modelos de ponderação podem ser diferentes.

E existe um detalhe político importante: entre as pesquisas Quaest e Índice e a realização da Atlas, começou o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

A campanha entrou em outra fase.

Portanto, pode existir mudança real de voto misturada às diferenças metodológicas.

O que não parece razoável é escolher a pesquisa que apresenta o resultado politicamente mais conveniente e tratá-la como verdade definitiva.

Narrativas políticas e a disputa pelo segundo turno

Cada campanha, naturalmente, escolherá sua pesquisa favorita, e é exatamente isso que tende a acontecer.

Para Lucas, interessa mostrar que lidera os três levantamentos.

Para Efraim, a Atlas é a fotografia perfeita: coloca sua candidatura acima dos 30% e o transforma claramente no principal adversário do governador.

Para Cícero, o Índice oferece a melhor narrativa possível: empate técnico pela liderança e uma distância confortável sobre Efraim.

Nenhuma campanha precisará inventar números. Bastará escolher quais números divulgar.

É uma característica curiosa deste momento da eleição paraibana: há pesquisa para praticamente todas as narrativas políticas dos três principais candidatos.

Observando tendências para entender o cenário eleitoral

O eleitor precisa olhar menos para a corrida entre institutos e mais para as tendências

Pesquisa eleitoral é fotografia. Mas uma eleição não é decidida por uma fotografia isolada.

Por isso, talvez seja mais importante observar o que acontecerá nas próximas rodadas de cada instituto do que tentar transformar Atlas, Quaest e Índice numa espécie de competição para descobrir quem “acertou”.

Se uma nova Atlas mantiver Efraim próximo dos 30%, teremos uma tendência dentro da metodologia da Atlas.

Se uma nova Quaest mostrar Efraim saindo dos 18% para um patamar significativamente maior, a hipótese de crescimento ganhará muito mais força.

Se o próximo Índice continuar colocando Cícero próximo de Lucas, também haverá uma tendência própria.

É a repetição dentro de uma mesma metodologia que ajudará a separar movimento eleitoral de diferença metodológica.

Se existe alguma conclusão possível neste momento, ela é simples: A certeza é Lucas Ribeiro.

Não porque sua vitória esteja garantida, está longe disso, mas porque ele é o único candidato que aparece numericamente na liderança nos três levantamentos.

A dúvida é: quem é hoje o verdadeiro adversário de Lucas?

Para a Atlas, é Efraim. Para o Índice, é Cícero.

Para a Quaest, os dois estavam praticamente empatados na disputa pelo posto.

É uma diferença importante porque, numa eleição com possibilidade concreta de segundo turno, a batalha entre Cícero e Efraim pode acabar se tornando quase uma eleição dentro da eleição.

Enquanto os dois tentam alcançar Lucas, precisam também impedir que o outro se consolide como a alternativa ao governador.

E talvez seja justamente essa a principal mensagem escondida por trás de pesquisas tão diferentes.

Os institutos ainda não conseguiram produzir uma fotografia consensual da corrida eleitoral paraibana.

Mas todos eles, cada um à sua maneira, mostram que a campanha entrou numa fase em que a disputa para saber quem enfrentará Lucas pode ser tão importante quanto a própria disputa pela liderança.

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