O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi o quinto presidenciável a participar da série de entrevistas promovida pela TV Globo. A sabatina, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, ocorreu na noite desta sexta-feira (28) e abordou temas como o escândalo do Banco Master, os atos de 8 de Janeiro, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Além dos temas políticos, outro detalhe chamou atenção durante a entrevista: Flávio apareceu com uma anotação escrita na mão esquerda. Em caneta azul, estavam as palavras “Mudança, futuro, 7/set”.
Banco Master e relação com Vorcaro
A entrevista começou com perguntas sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria repassado sessenta e um milhões de reais para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Renata Vasconcellos questionou Flávio sobre a proximidade com Vorcaro e lembrou que o candidato já havia apresentado versões diferentes sobre a relação com o banqueiro.
Flávio defendeu o financiamento do filme e afirmou que não houve irregularidade na operação.
Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para um filme sobre o próprio pai. Não há nada de errado neste filme. Não fui buscar recursos em Lei Rouanet ou em recursos públicos.
O candidato afirmou que todo o dinheiro foi utilizado na produção e que não houve qualquer contrapartida ao banqueiro em razão de sua atuação como senador.
Ao ser questionado sobre mensagens trocadas com Vorcaro, nas quais escreveu “estou e sempre estarei contigo”, Flávio afirmou que era necessário separar a relação privada envolvendo o filme de sua atuação política.
Na resposta, também citou o investimento de cento e sessenta milhões de reais feito por Vorcaro em um programa de Luciano Huck, da Globo.
O jornalista César Tralli ressaltou que os patrocínios relacionados ao Grupo Globo seguem a legislação, as normas de
Atos de 8 de Janeiro
Flávio também foi questionado sobre quais garantias poderia apresentar aos eleitores de que não tentaria promover um golpe de Estado, diante dos acontecimentos de 8 de janeiro de dois mil e vinte e três.
Em vez de responder diretamente sobre as garantias, o candidato criticou a condenação do pai, Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio afirmou que “uma grande farsa foi armada” para tentar retirar o ex-presidente da vida pública.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a vinte e sete anos e três meses de prisão por sete crimes, entre eles organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
“Ele foi julgado pelos seus inimigos”, afirmou Flávio, ao criticar também o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Os jornalistas questionaram o candidato sobre depoimentos de generais que integraram o governo Bolsonaro e que serviram de base para o processo contra o ex-presidente e outros envolvidos.
Entre os depoimentos citados esteve o do general Mario Fernandes, que confirmou ter elaborado um documento que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes.
O arquivo foi localizado no Palácio do Planalto e levado posteriormente ao Palácio da Alvorada, então residência oficial de Bolsonaro. Segundo as investigações, o plano não teria sido executado porque os envolvidos não conseguiram obter apoio do comando do Exército.
Questionado sobre o caso, Flávio respondeu
Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele.
O candidato também foi questionado sobre os depoimentos do brigadeiro Baptista Júnior e do general Freire Gomes, que relataram a existência de risco de ruptura institucional e pressões para que militares aderissem a uma tentativa de golpe.
Flávio minimizou os relatos e afirmou que não considerava os depoimentos graves.
Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro.
Ao criticar novamente o STF e a condenação do pai, Flávio afirmou
Eu sou o único candidato que pode trazer segurança jurídica de volta. Sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar para que o Supremo volte a cumprir a Constituição.
Tarifaço de Trump
Outro assunto abordado foi a tarifa adicional imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.
Flávio responsabilizou o presidente Lula pela medida e afirmou que o governo brasileiro teria contribuído para a decisão americana.
Foi o Lula que cavou com força. O Lula procurou muito essa tarifa, xingou, ameaçou. Ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras.
O candidato também comentou a atuação do irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que chegou a agradecer pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Flávio reconheceu que Eduardo errou ao agradecer pela medida, mas defendeu sua atuação no exterior.
Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas.
Segundo Flávio, Eduardo não pediu a imposição das tarifas e apenas atuou para apresentar ao governo americano sua visão sobre a situação política brasileira.
Se ele tivesse colocado os seus próprios interesses na frente do Brasil, ele não teria ficado exilado, como está nos Estados Unidos hoje. Ele faz um trabalho lá de conscientização, de mostrar ao mundo o que está acontecendo no Brasil.
Flávio diz que respeitará resultado das eleições
As declarações anteriores do candidato sobre as urnas eletrônicas também foram colocadas em discussão durante a sabatina.
Flávio negou ter colocado em dúvida a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e afirmou que respeitará o resultado das eleições.
Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral. Vou respeitar o resultado das eleições.
Apesar da declaração, o candidato não respondeu diretamente quando questionado se respeitaria o resultado caso fosse derrotado. Depois de ser perguntado duas vezes sobre o assunto, afirmou que espera vencer a disputa.
Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: vou ganhar no primeiro turno.
Flávio também reconheceu ter cometido um erro ao afirmar anteriormente que uma empresa venezuelana fabricava as urnas utilizadas no Brasil.
Eu disse que a empresa que fez as urnas eletrônicas era uma empresa venezuelana. Falei errado.
Segundo ele, a empresa apenas participou de alguns processos relacionados ao sistema eleitoral organizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O candidato afirmou que, fora essa declaração, nunca teria questionado a legitimidade do processo eleitoral.
“Cola” na mão chama atenção
Além das respostas dadas aos jornalistas, a anotação feita na mão esquerda de Flávio Bolsonaro repercutiu durante e após a entrevista.
Escrita com caneta azul, a anotação trazia as palavras “Mudança, futuro, 7/set”.
A imagem rapidamente chamou atenção nas redes sociais, com internautas comentando a presença da chamada “cola” durante a sabatina.
Série de entrevistas
Flávio foi o quinto candidato entrevistado pela Globo. A série começou na segunda-feira (24), com Romeu Zema (Novo). Na terça-feira (25), foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD). Na quarta-feira (26), Renan Santos (Missão) participou da sabatina. Na quinta-feira (27), o entrevistado foi Lula (PT).
O último nome da lista é Augusto Cury (Avante), cuja entrevista está prevista para sábado (29).
Cada entrevista tem duração de quarenta minutos, dividida em dois blocos, além de um minuto para as considerações finais. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenção de voto divulgada em agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio.
Polêmica Paraíba com G1
Fonte: Polemicaparaiba