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TCE-PB analisa contratos da Prefeitura de Nova Olinda por suspeitas de fraudes

O que começou como uma denúncia envolvendo supostos desvios de recursos públicos e irregularidades na manutenção da frota de Nova Olinda avançou no Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) e terminou com uma d.....
Foto: Valenewspb

O que começou como uma denúncia envolvendo supostos desvios de recursos públicos e irregularidades na manutenção da frota de Nova Olinda avançou no Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) e terminou com uma decisão que manda disponibilizar o processo ao Ministério Público Estadual diante de indícios de interposição fraudulenta de pessoa, o chamado “laranja”, e triangulação.

A 2ª Câmara do TCE-PB julgou parcialmente procedente a denúncia contra a Prefeitura de Nova Olinda, referente ao exercício de 2022, tendo como responsável indicado no processo o então prefeito Diogo Richelli Rosas.

A decisão foi tomada por unanimidade e consta do Acórdão AC2-TC 00845/26, no Processo TC nº 00809/24, durante sessão realizada em 18 de agosto de 2026. O extrato foi publicado no Diário Oficial Eletrônico do Tribunal em 20 de agosto.

A decisão encerra uma etapa importante do processo depois de a Auditoria do Tribunal e o Ministério Público de Contas da Paraíba (MPC-PB) analisarem documentos, defesas e as relações existentes entre pessoas citadas na denúncia.

Denúncia começou com suspeitas em serviços mecânicos e peças

Segundo os autos analisados pelo Blog do Clilson, a denúncia foi apresentada pelos vereadores Geudiano de Sousa e Rômulo Oliveira Teotônio, de Pedra Branca.

Eles levaram ao TCE suspeitas relacionadas à contratação de serviços mecânicos e aquisição de peças automotivas para veículos da Prefeitura de Nova Olinda, durante o exercício financeiro de 2022.

O próprio extrato da decisão registra que a denúncia tratava de

supostos desvios de recursos públicos e irregularidades

nessas contratações.

No centro da apuração aparece uma empresa registrada em nome de José Nogueira de Barros, apontada pelos denunciantes como possível empresa de fachada e que seria supostamente controlada e administrada por Marcos Nazário da Silva, identificado nos autos como vereador de Pedra Branca.

As acusações apresentadas pelos denunciantes não representam, isoladamente, comprovação de crime ou condenação dos envolvidos.

Inspeção e documentos colocaram despesas sob análise

Durante a instrução do processo, houve inspeção in loco em março de 2025. A Auditoria do TCE examinou notas fiscais, empenhos e comprovantes apresentados para justificar despesas com serviços mecânicos e peças.

Entre os problemas descritos no parecer do MPC estavam notas fiscais sem assinatura e identificação do servidor responsável pelo atesto e documentos referentes aos serviços sem composição individualizada dos valores cobrados.

As intervenções teriam sido apresentadas de maneira global, dificultando a identificação dos preços correspondentes a cada serviço.

A área técnica ponderou inicialmente que essas deficiências documentais, isoladamente, não permitiam concluir com segurança que os serviços deixaram de ser realizados ou que as peças não foram entregues e utilizadas.

O Ministério Público de Contas, porém, considerou as falhas relevantes, especialmente diante da ausência de identificação do responsável pelo atesto e da descrição genérica dos serviços.

Suspeita de “laranja” tornou-se ponto central

Outro eixo da investigação envolveu as relações apontadas pela fiscalização entre Marcos Nazário da Silva, José Nogueira de Barros e Damião Pereira de Lacerda.

As defesas contestaram as suspeitas.

Foi sustentado que Damião Pereira, por prestar serviços contábeis para empresas da região, utilizaria telefone e e-mail próprios nos cadastros de clientes. Também foi defendido que José Nogueira exerceria suas atividades de forma autônoma e que não existiria comprovação documental de que Marcos Nazário fosse controlador ou beneficiário oculto da empresa.

A Auditoria, segundo o parecer do MPC, considerou que os indícios não se limitavam ao compartilhamento de telefone ou e-mail. A análise teria considerado um conjunto de informações cadastrais, telefônicas e de localização relacionadas aos envolvidos.

Outro ponto levantado foi a ausência de elementos suficientes para demonstrar a autonomia operacional da empresa em aspectos como estrutura física, empregados e estoque.

MPC falou em possível “simulação subjetiva”

Ao analisar o conjunto das informações, o Ministério Público de Contas considerou que a questão não se restringia à possibilidade de um vereador contratar com prefeitura de outro município.

O ponto central, segundo o parecer, seria uma possível

simulação subjetiva por meio de pessoa interposta

.

Para o MPC, eventual utilização de pessoa interposta para ocultar os verdadeiros beneficiários de contratos, associada à aparente falta de autonomia operacional da empresa, poderia atingir princípios como probidade e moralidade administrativa.

O procurador Marcílio Toscano Franca Filho opinou, em parecer datado de 29 de maio de 2026, pela procedência parcial da denúncia e defendeu que o conteúdo fosse comunicado ao Ministério Público Estadual para adoção das providências consideradas cabíveis.

TCE julga denúncia parcialmente procedente

Agora, o extrato oficial da decisão mostra que o julgamento do TCE confirmou parte das conclusões levantadas durante a instrução.

Por unanimidade, os conselheiros da 2ª Câmara decidiram conhecer da denúncia, rejeitar as preliminares apresentadas pelas defesas e julgá-la parcialmente procedente.

O Tribunal também expediu recomendação à atual administração municipal para aperfeiçoar os procedimentos de liquidação, atesto e controle das despesas com manutenção da frota.

A determinação busca assegurar rastreabilidade e individualização dos itens nas notas fiscais, justamente um dos problemas documentais discutidos durante a apuração.

TCE manda disponibilizar processo ao Ministério Público

O ponto mais relevante da decisão, segundo análise do Blog do Clilson, está no encaminhamento dado pelo Tribunal aos indícios encontrados durante a apuração.

O TCE determinou expressamente a disponibilização dos autos ao Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria com atuação em Nova Olinda, para as providências que entender cabíveis.

O motivo aparece de maneira explícita no acórdão:

indícios de interposição fraudulenta de pessoa (‘laranja’) e triangulação

.

Com isso, uma suspeita que já havia sido destacada no parecer do Ministério Público de Contas passou a constar também como fundamento para uma determinação do próprio TCE-PB.

A medida não significa condenação criminal dos envolvidos. O Ministério Público Estadual poderá analisar o material recebido e decidir, dentro de suas atribuições, se existem elementos para adoção de outras providências.

Caso também poderá repercutir nas contas de 2023

A decisão não ficará restrita ao exercício de 2022.

O TCE determinou que uma cópia do julgamento seja juntada à prestação de contas de 2023 da Prefeitura de Nova Olinda, que tramita no Processo TC nº 02127/24, para subsidiar a análise de denúncia de mesma natureza referente àquele exercício.

Esse ponto ganha relevância porque o processo já registrava discussão sobre a existência de fatos semelhantes em outra apuração e eventual duplicidade de análise.

Defesa contestou suspeitas

Durante a tramitação, os citados exerceram o contraditório e apresentaram defesa, sustentando, entre outros argumentos, a autonomia da empresa e a inexistência de comprovação de que Marcos Nazário da Silva fosse seu controlador ou beneficiário oculto.

Apesar dessas manifestações, o TCE rejeitou as preliminares levantadas pelos defendentes e considerou a denúncia parcialmente procedente.

A decisão determinou ainda que denunciantes e autoridade denunciada sejam formalmente comunicados sobre o julgamento.

O Blog do Clilson ressalta que o julgamento do TCE ocorre na esfera do controle externo e não representa condenação criminal de Diogo Richelli Rosas, José Nogueira de Barros, Marcos Nazário da Silva ou dos demais citados.

Joaquim Franklin

Formado em jornalismo pelas Faculdades Integradas de Patos-PB (FIP) e radialista na Escola Técnica de Sousa-PB pelo Sindicato dos Radialistas da Paraíba.

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