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Eli Lilly processa empresas por venda ilegal de retatrutida

A Eli Lilly moveu ações judiciais contra seis empresas nos EUA por comercialização ilegal de retatrutida, uma molécula em pesquisa para obesidade e diabetes tipo 2. A farmacêutica alerta sobre os riscos do uso não reg...
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

A farmacêutica Eli Lilly, conhecida pelo medicamento Mounjaro, iniciou seis processos judiciais contra empresas nos Estados Unidos por venda ilegal de retatrutida, uma substância ainda em fase de pesquisa para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. A informação foi divulgada pela empresa.

As ações judiciais visam farmácias de manipulação, clínicas de estética, spas médicos e vendedores online que comercializam a retatrutida, alegando que o produto é destinado "apenas para uso em pesquisa", enquanto na prática é vendido para consumo humano.

A retatrutida se diferencia da semaglutida e da tirzepatida por ser um agonista triplo, ativando os receptores dos hormônios GLP-1, GIP e glucagon, que desempenham papéis na regulação da fome, saciedade, produção de insulina e gasto energético.

Até o momento, nenhum órgão regulador global aprovou medicamentos contendo retatrutida. A Eli Lilly planeja solicitar uma licença de produto biológico para a substância ao FDA no primeiro trimestre de 2027.

A retatrutida está sendo estudada rigorosamente como parte de um amplo programa de desenvolvimento de ensaios clínicos — afirmou David Hyman, diretor médico da Lilly.

Hyman também destacou a responsabilidade da empresa em avaliar a segurança e eficácia de seus medicamentos em investigação, alertando que o que está sendo vendido no mercado clandestino não é um medicamento verificado e representa riscos à saúde.

A Eli Lilly informou ter denunciado mais de 200 indivíduos e entidades ao FDA e outras autoridades, além de notificar plataformas digitais sobre mais de 14 mil sites e anúncios que comercializam o produto ilegalmente em mais de cem países.

O interesse pela retatrutida aumentou após dados preliminares sugerirem que a substância pode promover perda de peso superior a medicamentos já aprovados. Dois estudos de fase 3 apresentados pela Lilly em julho mostraram resultados significativos.

O estudo TRIUMPH-3, que avaliou 1.949 adultos com obesidade grave e doenças cardiovasculares, revelou que participantes tratados com retatrutida perderam, em média, 23,9 kg após um ano e oito meses. O estudo TRIUMPH-2, focado em adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, também apresentou resultados positivos.

Apesar de a retatrutida estar em fase experimental, apreensões de produtos não regulamentados, como canetas emagrecedoras, têm sido comuns, especialmente na fronteira entre Brasil e Paraguai. Embalagens apreendidas indicam a Alemanha ou Paraguai como países de origem, mas a procedência real é incerta.

A Eli Lilly do Brasil reiterou que a retatrutida está disponível apenas para participantes de ensaios clínicos, alertando que qualquer produto vendido fora desse contexto é ilegal e pode representar sérios riscos à saúde.

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