A Diocese de Jundiaí, localizada no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva. A medida foi tomada após sua adesão formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), um grupo tradicionalista que o Vaticano considera em cisma com a Igreja Católica. A FSSPX, por sua vez, nega as acusações feitas pela Santa Sé.
Rodrigo, natural de Cajamar, completou sua formação em Filosofia e Teologia no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro, sendo ordenado diácono em 2010 e padre em 2011. Ele atuava como pároco da Paróquia Santo Antônio e, em fevereiro deste ano, já havia solicitado seu afastamento da diocese.
Desde março, o padre tem promovido uma campanha de arrecadação virtual para financiar a abertura de uma nova igreja, tendo arrecadado até o momento R$ 73,3 mil.
O bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, comunicou que todos os atos ministeriais de Rodrigo são considerados ilícitos a partir da excomunhão. Isso implica que as absolvições e casamentos realizados por ele não têm validade perante a Igreja. A excomunhão é uma consequência de uma determinação do Vaticano, que classifica como cismáticos os membros que se juntam formalmente à FSSPX.
A decisão do Vaticano foi uma resposta à ordenação de quatro bispos pela FSSPX em julho, sem autorização papal, caracterizando um ato de natureza cismática. Para que os fiéis possam retornar à comunhão com Roma, é necessário que aceitem formalmente o Concílio Vaticano II e se submetam à autoridade do papa.
Entendendo a Fraternidade São Pio X
A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre como uma reação às reformas do Concílio Vaticano II. O grupo mantém a liturgia tradicional, celebrando a missa em latim e com o padre voltado para os fiéis.
Atualmente, a FSSPX conta com dois bispos, 733 sacerdotes, 264 seminaristas, entre outros membros, distribuídos em 50 nacionalidades. Em seu site, a fraternidade defende-se das acusações de cisma, argumentando que a consagração episcopal não autorizada não constitui ruptura da comunhão, desde que não haja intenção cismática.
Fonte: Noticiasaominuto