Em 2024, mais de 400 crianças foram recrutadas por grupos armados em Moçambique, conforme indicado em um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Health Cluster. A província de Cabo Delgado é a mais afetada, com um aumento significativo nas violações contra menores.
O relatório confirma o recrutamento de 403 crianças, incluindo 71 meninas, além de registrar 468 sequestros de menores, dos quais 392 estão relacionados ao recrutamento e uso por grupos armados. O crescimento das violações contra crianças é alarmante, atingindo 525% em 2024.
Cabo Delgado continua a ser um foco de sequestros e recrutamento forçado, resultando em consequências psicológicas profundas para as vítimas e suas comunidades. A insegurança também impacta a convivência familiar e a rotina social.
A situação humanitária no norte de Moçambique permanece crítica, com cerca de 1,1 milhão de pessoas necessitando de assistência. Aproximadamente 919 mil dessas pessoas vivem nos distritos mais afetados pelo conflito, que é impulsionado por grupos insurgentes associados ao Estado Islâmico.
A violência tem forçado um número crescente de famílias a deixar suas casas. Em junho, 12.174 pessoas foram deslocadas, totalizando 26.184 novos deslocados desde o início do ano. Atualmente, 506.214 pessoas estão deslocadas internamente, com mulheres e crianças representando 79% desse total.
O relatório também destaca que muitas famílias enfrentam múltiplos deslocamentos, retornando a suas regiões de origem, mas ainda dependentes de ajuda humanitária devido à falta de acesso a terras agrícolas e serviços essenciais.
Os serviços de saúde em Cabo Delgado e Nampula também foram severamente afetados pela violência. Até o final de 2025, 30 das 150 unidades de saúde em Cabo Delgado estavam completamente destruídas, e a insegurança levou à suspensão de atividades humanitárias em algumas áreas.
A resposta humanitária enfrenta desafios financeiros, com um plano de assistência para 2026 estimando a necessidade de US$ 348 milhões, mas apenas US$ 116 milhões haviam sido recebidos até meados do ano, representando apenas 34% do total necessário.
Até o final de maio, cerca de 520 mil pessoas receberam ajuda, o que corresponde a 46% da população alvo. Nos distritos críticos de Cabo Delgado, 263 mil pessoas foram atendidas, ainda distante das 919 mil consideradas prioritárias.
Fonte: Noticiasaominuto