A escassez de munições nos estoques das Forças Armadas dos Estados Unidos levou o Pentágono a exigir que empresas do setor de defesa aumentem a produção e a entrega de armamentos. Essa situação, relacionada ao uso intenso de armas na guerra contra o Irã, foi revelada por um memorando oficial obtido pelo The Washington Post.
Na quarta-feira, o subsecretário do Departamento de Guerra, Steve Feinberg, estabeleceu um prazo de 21 dias para que as principais fornecedoras de armamentos apresentem planos que acelerem as entregas ou ampliem a produção de itens críticos. Feinberg enfatizou que
ciclos de desenvolvimento de anos não são aceitáveis
.
O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou a veracidade do documento, que servirá como base para o orçamento fiscal de 2028 e integra os esforços para revitalizar a indústria de defesa. Parnell também destacou que a iniciativa de aumentar a produção já estava em andamento antes do início do conflito com o Irã.
Entretanto, a falta de armamentos gerou tensões entre o presidente Donald Trump e o Departamento de Guerra, conforme fontes consultadas. A situação pode persistir até que o Congresso aprove os US$ 1,15 trilhão destinados aos gastos de defesa, um valor que enfrenta resistência da oposição democrata.
Em declarações públicas, Trump afirmou que os EUA possuem "quantidades enormes" de munição e que novos carregamentos estão sendo produzidos conforme a demanda. Em julho, representantes de grandes empresas como Lockheed Martin e Boeing se reuniram na Casa Branca para discutir a necessidade de pressionar o Congresso por um aumento no orçamento de defesa.
Durante os primeiros meses do conflito, o consumo de armamentos foi elevado, com os EUA disparando mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk e utilizando mais de 1.300 mísseis balísticos táticos nas semanas iniciais. A análise do CSIS indica que o estoque global de mísseis Patriot caiu de 2.200 unidades antes da guerra para menos de 827.
A diminuição dos estoques de munições e interceptadores aumentou os riscos para os militares, influenciando as decisões da Casa Branca sobre possíveis escaladas no conflito. Algumas empresas do setor já estão utilizando recursos próprios para financiar a produção enquanto aguardam novos contratos. Tom Karako, do CSIS, alerta que essa estratégia pode representar um risco significativo para companhias de capital aberto.
Fonte: Noticiasaominuto