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Estratégia de Lucas Ribeiro no Debate: Preparação e Narrativa

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba deixou uma lição que talvez seja mais importante do que a avaliação sobre quem ganhou ou perdeu o confronto: quando os problemas são conhecidos, as perguntas.....
Foto: Simoneduarte

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Paraíba deixou uma lição que talvez seja mais importante do que a avaliação sobre quem ganhou ou perdeu o confronto: quando os problemas são conhecidos, as perguntas são previsíveis e o adversário sabe exatamente de onde virão os ataques, há tempo de sobra para preparar uma resposta, e, principalmente, uma narrativa.

Foi exatamente essa sensação que ficou depois do primeiro debate desta sexta-feira,7.

As máculas e os problemas existentes no Governo da Paraíba são tão escancarados e perceptíveis aos olhos da população que seria ingenuidade imaginar que também não sejam conhecidos por quem está dentro do próprio governo. E, naturalmente, por quem trabalha na comunicação e no marketing da administração e também no marketing político do candidato à reeleição.

Educação, saúde, segurança, infraestrutura, serviços públicos e as denúncias que atingem integrantes ou ex-integrantes da máquina estadual não são assuntos que surgiram hoje. Estão há meses no debate político paraibano. Portanto, era perfeitamente possível antecipar quais seriam os temas explorados pelos adversários.

E foi justamente isso que parece ter acontecido.

Lucas Ribeiro chegou ao primeiro grande debate eleitoral de sua carreira como candidato à reeleição ao Governo da Paraíba “preparado” para as obviedades. Não apenas preparado para ouvir as perguntas, mas aparentemente treinado para respondê-las, contorná-las e, em muitos momentos, substituir a pergunta original pela narrativa que sua equipe havia preparado para aquele momento.

A impressão foi de um candidato que havia decorado não apenas respostas, mas caminhos de resposta.

Quando uma acusação previsível aparecia, vinha uma reação igualmente previsível. Quando um problema do governo era apresentado, surgia uma narrativa para deslocar o foco. Quando a crítica apertava, entrava o contra-ataque. E, em seguida, a velha fórmula: uma risadinha, a acusação de que o adversário estaria mentindo e a tentativa de apresentar o Governo da Paraíba como uma administração muito melhor do que aquela percebida diariamente por uma parcela significativa da população.

A famosa risadinha de Lucas, que já se tornou uma espécie de marca de seu grupo nos embates políticos, também apareceu como parte desse mecanismo.

O problema é que existe uma diferença considerável entre a Paraíba apresentada pela propaganda oficial e a Paraíba experimentada por quem depende dos serviços públicos.

Para quem enfrenta problemas na educação, na saúde, na segurança ou em qualquer outra área da administração, a realidade não se resume aos slogans e às peças publicitárias do governo. E foi justamente essa distância entre a narrativa oficial e a experiência cotidiana da população que os adversários tentaram explorar.

Lucas, entretanto, parecia já saber sobre o que seria questionado.

E aí está o ponto central desta análise.

O desempenho do governador não pode ser compreendido apenas como resultado de sua capacidade pessoal de improvisação. Houve preparação. E muita.

Sua equipe de marketing e comunicação teve diante de si algo relativamente simples: mapear as fragilidades do governo, identificar aquilo que os adversários inevitavelmente explorariam e preparar o candidato para responder a cada uma dessas questões.

Não era necessário adivinhar o futuro.

Bastava conhecer os problemas do próprio governo e acompanhar o discurso dos adversários, que já vinham sendo pronunciados em todas as entrevistas e sabatinas durante alguns meses.

Por isso, o elemento realmente surpreendente da noite talvez não tenha sido o desempenho de Lucas em si, mas o fato de ele ter chegado tão bem ensaiado para aquilo que era previsível.

E isso ganha ainda mais relevância porque, nos bastidores da política paraibana, há comentários recorrentes dos seus próprios aliados sobre a forte influência exercida por seu tio, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, e por sua mãe, a senadora Daniella Ribeiro, na condução política e administrativa do estado.

Independentemente de quem efetivamente toma esta ou aquela decisão, o fato é que Lucas chegou ao debate cercado por uma estrutura política e de comunicação que aparentemente compreendeu muito bem o tipo de confronto que teria pela frente.

E soube prepará-lo. Isso é fato!

O resultado foi um governador que, em diversos momentos, parecia estar respondendo menos ao que estava sendo perguntado naquele instante e mais ao que já havia sido previsto por sua equipe.

É a lógica do marketing político quando funciona bem: não esperar a pergunta para construir a resposta, mas construir a resposta antes que a pergunta seja feita.

O problema, para Cícero Lucena e Efraim Filho, é que eles ajudaram a alimentar esse roteiro.

Isso não significa que os questionamentos apresentados tenham sido equivocados. Muitos dos problemas levados ao debate são relevantes e precisam, sim, ser discutidos pela Paraíba.

A questão é estratégica.

Se os adversários continuarem apresentando exatamente aquilo que Lucas já sabe que será apresentado, continuarão colocando o governador em uma posição confortável.

Ele conhece as críticas.

Conhece os problemas.

Conhece as acusações.

Conhece os argumentos dos adversários.

E, agora, mostrou que é bom de decorar aquilo que sua equipe de Marketing o preparou para responder, sabendo exatamente o que seria perguntado.

É preciso, portanto, mudar a lógica dos próximos debates.

Não basta levar mais denúncias. Não basta repetir problemas que já estão no discurso da oposição. É preciso transformar essas questões em perguntas que exijam respostas concretas.

É preciso apresentar números, comparar promessas com resultados, confrontar discursos com fatos e, sobretudo, levar propostas capazes de tirar Lucas do terreno em que sua equipe já o preparou para atuar.

Porque existe uma diferença entre atacar um governo e obrigá-lo a explicar-se.

O primeiro debate mostrou que Lucas está “preparado” para os ataques previsíveis.

Agora, Cícero e Efraim precisam mostrar que conseguem produzir o imprevisível.

Precisam tirar o governador do script.

Precisam fazer perguntas para as quais não exista uma resposta previamente decorada.

Precisam apresentar propostas que obriguem Lucas a discutir o futuro da Paraíba, em vez de simplesmente reagir aos problemas do passado ou recorrer aos mesmos contra-ataques.

Caso contrário, o risco é evidente: os adversários continuarão falando sobre os problemas do governo, enquanto Lucas continuará falando sobre aquilo que sua equipe já preparou para responder sobre esses problemas.

E, nesse cenário, quem controla a narrativa acaba controlando boa parte do debate.

O primeiro confronto deixou justamente essa impressão.

Lucas não necessariamente resolveu ou respondeu de maneira definitiva aos problemas apresentados pelos adversários. Mas conseguiu atravessar o debate utilizando respostas, argumentos e narrativas que pareciam ter sido previamente construídos para aquele momento.

No fim das contas, talvez essa seja a principal conclusão do primeiro debate

Lucas não venceu os problemas do governo. Venceu, em boa medida, o roteiro que já conhecia.

E, se Cícero e Efraim quiserem mudar o resultado dos próximos confrontos, terão que começar justamente por aí: parar de jogar o jogo que o marketing de Lucas já aprendeu a jogar.

Por Simone Duarte

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