A disputa pela vice na chapa do governador Lucas Ribeiro (PP) se transformou em um ponto crítico para a base governista, especialmente no dia da convenção. O evento, que deveria simbolizar unidade, foi marcado pela ausência do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (Republicanos), que optou por não comparecer após reuniões infrutíferas.
Fontes ligadas ao Republicanos revelam que a primeira proposta nas negociações exigia a desistência do deputado federal Murilo Galdino de sua candidatura à reeleição, o que foi rejeitado por Adriano. Sem progresso, uma nova alternativa foi apresentada: Adriano abriria mão de lançar sua filha para a Assembleia em troca da vice-governadoria, mas essa proposta também não avançou.
Após horas de discussões que se estenderam até momentos antes da convenção, Adriano decidiu não participar do evento, evidenciando a distância entre os aliados. As imagens da reunião mostraram Lucas Ribeiro observando as discussões, enquanto as articulações eram lideradas pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro e pela senadora Daniella Ribeiro, reforçando a percepção de que as decisões estratégicas estão nas mãos da família do governador.
Esse episódio representa um desafio inédito para a família Ribeiro, que enfrenta a tarefa de conduzir uma negociação complexa para formar uma chapa majoritária com diferentes partidos e interesses. As dificuldades em alcançar um consenso têm se tornado cada vez mais evidentes, prolongando um impasse que já extrapolou os bastidores.
Enquanto o Republicanos defende a candidatura de Adriano Galdino para a vice, partidos progressistas pressionam por uma indicação feminina. Nomes como Rafaela Camaraense (PDT), coronel Viviane Vieira (PSB) e Maísa Cartaxo (Republicanos) estão entre as opções discutidas.
A tensão também se estendeu ao PDT, cujo presidente nacional, Carlos Lupi, afirmou que o partido aguardará a definição da chapa antes de decidir sobre a aliança com os Progressistas na Paraíba, deixando em aberto a possibilidade de reavaliação de sua posição política.
Mesmo que a convenção não anuncie um nome, a legislação eleitoral permite que a chapa seja formalizada até 15 de agosto, mantendo a possibilidade de um acordo, mas também prolongando o desgaste político que se tornou evidente no dia em que a base buscava mostrar unidade.
Nos bastidores, há uma avaliação de que, embora o Republicanos permaneça na base e apoie Lucas Ribeiro inicialmente, pode reavaliar sua posição em um eventual segundo turno, o que também é cogitado para o PDT, presidido por Carlos Lupi.
O desfecho das negociações não apenas definirá quem ocupará a vice, mas também servirá como um teste para a capacidade da família Ribeiro de manter a coesão política em meio à disputa eleitoral.
Fonte: Simoneduarte