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Relatório da OSCE denuncia militarização de crianças ucranianas pela Rússia

A OSCE acusa a Rússia de doutrinar e militarizar crianças ucranianas em áreas ocupadas e deportadas, revelando um sistema organizado de controle e propaganda.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) divulgou um relatório nesta quinta-feira (9/7) que acusa a Rússia de implementar uma política de doutrinação e militarização de crianças ucranianas. O documento, que possui mais de 140 páginas, foi elaborado a partir de investigações do Mecanismo de Moscou, que permite a realização de missões para investigar possíveis abusos de direitos humanos.

As investigações revelam que a Rússia está utilizando um sistema organizado que combina educação, coerção familiar e propaganda para preparar crianças para o serviço militar. Desde os 6 anos, os menores são expostos a conteúdos de guerra e ao apagamento de suas identidades. Entre os 13 e 18 anos, recebem treinamento militar que inclui combates, manuseio de armas e operação de drones.

Além disso, aos 16 anos, os adolescentes que vivem sob influência russa começam a receber notificações de alistamento militar, que pode ocorrer aos 18 anos. Estima-se que cerca de 1,6 milhão de crianças ucranianas em áreas ocupadas, como Crimeia, Donetsky, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, estejam sendo afetadas por essa doutrinação.

A Ucrânia e organizações internacionais acusam a Rússia de ter deportado mais de 20 mil crianças desde o início da guerra em 2022. As investigações indicam que esses menores são levados por militares de regiões ocupadas. As acusações resultaram em um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente russo, Vladimir Putin, e a comissária russa para os direitos da criança, Maria Lvova-Belova.

Maksyum Maksymov, chefe da iniciativa Bring Kids Back, destacou que a Rússia tem transformado crianças ucranianas em soldados, ensinando-as a manusear armas e operar drones em sala de aula. Ele enfatizou que as ações da Rússia não são crimes isolados, mas parte de um sistema deliberado.

O relatório da OSCE também aponta que o governo russo mantém um ambiente de pressão extrema sobre as famílias que vivem sob ocupação. A exigência de documentos russos para acesso a serviços básicos, como educação e saúde, é uma forma de coação. Pais que não matriculam seus filhos em escolas russas enfrentam ameaças, e professores que se opõem ao currículo imposto podem ser demitidos ou detidos.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que as ações da Rússia visam destruir a identidade de uma geração inteira de ucranianos, caracterizando essa situação como um crime contra a humanidade. Ele ressaltou que o futuro das crianças deve ser central em qualquer negociação de paz.

Até o momento, o governo russo não se pronunciou sobre as acusações contidas no relatório da OSCE.

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