Um apagão ocorrido na terça-feira (7) deixou quase 100 cidades sem energia elétrica, afetando 77 municípios da Paraíba e 9 cidades na região Centro-Sul e Cariri do Ceará, além de provocar desligamentos no Alto Oeste do Rio Grande do Norte. O incidente gerou discussões sobre a vulnerabilidade da infraestrutura energética na região e os impactos para a população e o comércio.
Em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV Diário do Sertão, o engenheiro Fernando Figueredo analisou as consequências do desabastecimento. Ele destacou que a falta de eletricidade causa transtornos significativos, uma vez que a energia é um serviço essencial.
Quando há um desabastecimento dessa magnitude, fica evidente a necessidade de uma infraestrutura urbana mais adequada — afirmou.
Figueredo explicou que o colapso ocorreu em um ponto central de distribuição, onde o sistema que atende ao Sertão é interconectado. Ele detalhou que a transmissão de energia vem principalmente da usina hidrelétrica de Paulo Afonso e que a subestação de Milagres, no Ceará, é crucial para a distribuição.
Houve uma falha na manutenção da transmissão, algo que não deveria ocorrer — disse.
Para ilustrar o funcionamento do sistema, o engenheiro fez uma analogia:
Se houver um curto ou defeito em um fio principal, o restante da casa desliga porque a corrente é integrada. Foi exatamente isso que aconteceu em macroescala
.
Além dos problemas domésticos, Figueredo ressaltou o impacto financeiro no comércio regional, onde muitos estabelecimentos não têm condições de manter geradores próprios.
Quando o sistema cai, toda a cadeia econômica local é prejudicada
, alertou.
O engenheiro também cobrou maior rigor na fiscalização por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), afirmando que o sistema não deveria ser vulnerável. Ele sugeriu que o descumprimento de cronogramas de manutenção pode ter contribuído para o colapso.
Quando ocorre uma falha desse tipo, o prejuízo socioeconômico para o país é absurdo — concluiu.
A falha na Subestação de Milagres gerou um efeito cascata, deixando 77 municípios da Paraíba no escuro, o que representa quase um terço do estado. O apagão também afetou diretamente as cargas do Regional Coremas e atingiu cidades como Juazeiro do Norte e Iguatu no Ceará, além de provocar o desligamento de linhas de transmissão no Rio Grande do Norte.
A Subestação de Milagres é considerada um dos principais pontos de distribuição de energia do Nordeste, operando em alta tensão e interligando a energia do Complexo de Paulo Afonso e dos parques eólicos da região. Qualquer oscilação nesse ponto pode resultar em desligamentos em cascata.
Fonte: Diariodosertao