A disputa pelo Senado na Paraíba em 2026 pode ser fortemente influenciada pelo fenômeno do "voto cruzado" e pelo índice de rejeição dos candidatos. Essa análise é do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB).
O voto cruzado refere-se ao apoio de lideranças políticas a candidatos de chapas adversárias, geralmente baseado em interesses locais. Um exemplo recente é a vereadora Eliza Virgínia (PP), que declarou apoio tanto ao pré-candidato governista Nabor Wanderley (Republicanos) quanto ao opositor Marcelo Queiroga (PL).
Medeiros destaca que, em estados com fortes lideranças regionais, como a Paraíba, essa prática se torna um dos principais mecanismos para definir as duas cadeiras em disputa. Ele observa que prefeitos têm apoiado candidatos de diferentes espectros políticos, como Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Nabor Wanderley.
A eleição para o Senado, segundo o cientista político, se torna mais aberta, não sendo decidida apenas pela força do palanque, mas pela habilidade de formar apoios entre prefeitos e lideranças regionais.
Além disso, Medeiros aponta que candidatos que conseguem dialogar com diferentes campos políticos e ocupar mais de um palanque têm uma vantagem competitiva. Candidaturas com menor rejeição tendem a se beneficiar mais dessa lógica, já que a aceitação do eleitor é crucial.
Candidatos que conseguem construir "votos cruzados" não dependem de um único palanque, disputando votos em várias frentes. O fenômeno pode se intensificar na reta final da campanha, especialmente se o candidato equilibrar apoios com baixa rejeição.
Medeiros conclui que as pesquisas eleitorais captam mais facilmente a preferência principal do eleitor, mas o segundo voto é mais volátil e influenciado pelas alianças locais e pela lógica do voto cruzado.