A operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira (7) afetou diretamente a pré-candidatura ao Senado de Márcio Canella (União Brasil), aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL). Canella foi alvo de busca e apreensão sob suspeita de lavagem de dinheiro, o que gerou incertezas sobre sua participação na campanha.
A vulnerabilidade de Canella, que durante sua gestão na Prefeitura de Belford Roxo (RJ) nomeou milicianos, já era conhecida no contexto da campanha de Flávio. Sua indicação para o Senado foi parte da aliança com o União Brasil, cujo presidente nacional, Antônio Rueda, também é pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados e depende da base eleitoral de Canella.
A operação, que faz parte da 6ª fase da Operação Unha e Carne, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Canella foi preso em flagrante por porte irregular de um fuzil calibre .556 encontrado em seu veículo. A PF investiga movimentações financeiras que ultrapassam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro e contratações ilegais.
Apesar do desgaste causado pela operação, a não prisão preventiva de Canella ainda mantinha sua pré-candidatura com alguma sobrevida. No entanto, a detenção em flagrante por porte de arma pode complicar sua situação. O sigilo dos autos da PF também gera cautela em relação a um possível afastamento de sua postulação.
Entre as opções discutidas para substituir Canella, está o nome de Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil, conhecido por sua atuação na Operação Contenção. Contudo, a resistência do PP em abrir mão de um potencial puxador de votos para a Câmara dos Deputados pode dificultar essa escolha.
Outra possibilidade é ampliar a aliança em torno do pré-candidato ao Governo do Rio, deputado Douglas Ruas (PL), com o apoio do Republicanos, que pode incluir o deputado Marcelo Crivella na chapa.
O PL ainda não definiu um substituto para o ex-governador Cláudio Castro, que abandonou sua pré-candidatura após ser alvo de operações da PF. O senador Carlos Portinho (PL) tem ganhado apoio, mas Flávio Bolsonaro considera o deputado Carlos Jordy (PL) como uma opção mais aceita pela base bolsonarista.
O deputado Sóstenes Cavalcantes (PL) também foi cogitado, mas sua situação se complicou após ser alvo de uma nova operação da PF.