O governo brasileiro manifestou preocupação com a possibilidade de uso da força militar dos Estados Unidos em seu território, após a recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O alerta foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em uma carta enviada ao Congresso Nacional, à qual a agência France Presse teve acesso. Vieira destacou que essa classificação unilateral poderia ser utilizada para justificar ações extraterritoriais contra instituições brasileiras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se opôs à decisão dos Estados Unidos, que, segundo a administração americana, permitiria ações contra líderes desses grupos em qualquer parte do mundo. Em maio, o governo dos EUA declarou o PCC e o CV como organizações terroristas, alegando que ambos mantêm redes ilícitas que se estendem além das fronteiras do Brasil.
Essas facções são conhecidas principalmente por sua atuação no tráfico de drogas, além de outras fontes ilegais de arrecadação em comunidades brasileiras. Desde que assumiu a presidência em 2025, Donald Trump tem classificado diversos grupos criminosos internacionais como terroristas, incluindo o cartel de Sinaloa, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela.
Os Estados Unidos já realizaram ações contra o Tren de Aragua na Venezuela e ataques a embarcações supostamente ligadas a narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, embora sem apresentar provas públicas.
No Brasil, a oposição de direita elogiou a decisão americana, acusando o governo Lula de ser leniente no combate ao crime organizado, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando.
Além disso, Brasil e Estados Unidos enfrentam divergências comerciais, com a administração Trump devendo decidir até 15 de julho se aplicará sobretaxas de 25% sobre diversos produtos brasileiros, após uma investigação sobre práticas comerciais desleais, que o governo brasileiro rejeita.