O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou nesta segunda-feira (6) que não aceita a vitória de Abelardo de la Espriella, o presidente eleito, e anunciou manifestações para o próximo dia 20 de julho, quando o país celebra sua Independência. A posição de Petro intensifica a tensão política no país, a menos de um mês da posse do novo governo, marcada para 7 de agosto.
Em suas redes sociais, o atual mandatário rejeitou o resultado do segundo turno das eleições, afirmando que Espriella "não venceu as eleições
. Petro declarou que reconhece apenas Iván Cepeda, seu aliado político e candidato governista que foi derrotado nas urnas no final de junho.
O presidente da Colômbia não reconhece a legitimidade do novo governo. Abelardo não venceu as eleições", escreveu.
A convocação para as manifestações ocorre um dia após Petro pedir à população que se mobilizasse em defesa das reformas sociais de seu governo. Ele incentivou os colombianos a ocuparem as praças públicas durante o feriado da Independência, afirmando:
Convido vocês a se juntarem às forças de segurança e, após o desfile, a ouvirem meu discurso de despedida como chefe de Estado da Colômbia
.
Além disso, Petro anunciou que não pretende realizar o tradicional discurso de despedida nos dias 6 ou 7 de agosto, o que levanta dúvidas sobre sua presença na cerimônia de posse de Espriella.
As declarações de Petro reforçam a narrativa de setores governistas que contestam o resultado eleitoral. Iván Cepeda também questiona a legitimidade da eleição e já manifestou a intenção de recorrer à "desobediência civil" em relação ao novo governo.
Na mesma data, Luis Guillermo Pérez, advogado e ex-magistrado do Conselho Nacional Eleitoral, aliado de Petro, anunciou que apresentará uma ação judicial para tentar anular a eleição de Espriella. Entre os argumentos, está a dupla nacionalidade do presidente eleito, que também possui cidadania norte-americana. Pérez argumenta que o juramento exigido para a obtenção da nacionalidade dos Estados Unidos comprometeria a soberania colombiana. Contudo, esse argumento contraria a decisão do Tribunal Superior de Bogotá, que, no final de junho, decidiu que a aquisição de outra nacionalidade não impede um cidadão colombiano de exercer cargos públicos.