O ex-bispo da Diocese de Catanduva, Valdir Mamede, foi formalmente acusado de importunação sexual contra um padre, após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia do Ministério Público do estado (MP-SP). A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal e Anexo da Infância e da Juventude da Comarca de Catanduva, que determinou que o processo tramitará em segredo de Justiça.
A denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Caíque Ducatti, alega que Mamede teria abusado sexualmente do padre subordinado a ele entre os anos de 2019 e 2023. Segundo o MP, o ex-bispo teria utilizado sua posição de autoridade para constranger a vítima e realizar atos libidinosos sem consentimento.
Os abusos teriam ocorrido em locais como a Residência Episcopal de Catanduva e a Paróquia de São Sebastião, em Ibirá, interior de São Paulo. O boletim de ocorrência foi registrado pela vítima em 22 de março de 2024.
A Denúncia Detalha Pelo Menos Quatro Episódios De Abusos
A denúncia detalha pelo menos quatro episódios de abusos. Um deles envolve o pedido de Mamede para que o padre realizasse sua depilação corporal, utilizando essa situação como pretexto para permanecer nu e assediar sexualmente o religioso. Outro episódio, ocorrido em 2022, relata que o ex-bispo teria agarrado e beijado o padre à força durante a exibição de um filme.
Além disso, o MP menciona que Mamede teria feito chamadas de vídeo em que aparecia nu e se masturbava. Em 2023, o ex-bispo teria ido à casa da vítima aparentemente embriagado, onde, após ser autorizado a entrar, teria se despido e tentado agarrar o padre sem consentimento. A vítima recolheu material biológico deixado em um lençol, que foi enviado para perícia, confirmando que era proveniente de um homem.
O Ministério Público também solicitou que Mamede seja condenado a pagar uma indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais ao padre. O promotor optou por não oferecer um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), argumentando que os crimes cometidos atingem a dignidade sexual da vítima e foram praticados de forma reiterada por alguém em posição de autoridade.
Além da condenação criminal, a Promotoria pediu à Justiça a imposição de medidas cautelares para proteger a vítima e as testemunhas, incluindo a proibição de contato por qualquer meio, a manutenção de uma distância mínima de 500 metros e a proibição de frequentar a Paróquia de São Sebastião e a sede da Diocese de Catanduva durante o processo.
Valdir Mamede renunciou ao cargo de bispo em novembro de 2023, mas os motivos para sua renúncia não foram divulgados. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Fonte: Metropoles