O candidato de esquerda Roberto Sánchez reconheceu, nesta segunda-feira (6), sua derrota nas eleições presidenciais do Peru, aceitando a vitória da conservadora Keiko Fujimori. A declaração encerra um período de intensas disputas sobre o resultado do segundo turno, que foi marcado por alegações de fraude, recursos judiciais e manifestações de apoiadores de Sánchez.
Em um comunicado oficial, o partido Juntos por el Perú, liderado por Sánchez, afirmou que respeita a proclamação feita pela Comissão Nacional Eleitoral e aceita o resultado divulgado pelas autoridades, três dias após a oficialização da vitória de Fujimori. O texto destaca que
a democracia exige respeitar a institucionalidade, mas também exige defender a verdade
. Embora reconheçam a proclamação dos resultados, o comunicado ressalta que isso não implica renunciar ao direito de denunciar as irregularidades ocorridas durante o processo eleitoral.
Durante a apuração dos votos, Sánchez havia questionado a integridade do processo, afirmando que havia uma "fraude em curso" na contagem. A disputa foi acirrada, com os candidatos se alternando na liderança e separados por margens estreitas, às vezes inferiores a mil votos. O partido de Sánchez chegou a apresentar recursos à Justiça Eleitoral para anular votos registrados em Lima e no exterior, alegando irregularidades que teriam favorecido Fujimori.
Na última sexta-feira (3), o Jurado Nacional de Eleições (JNE) proclamou oficialmente Keiko Fujimori como vencedora, com 9.223.396 votos (50,135%), enquanto Roberto Sánchez obteve 9.173.755 votos (49,865%). A diferença entre os candidatos foi de apenas 49.641 votos, tornando a disputa uma das mais equilibradas da história recente do Peru. Durante a cerimônia de proclamação, o JNE também rejeitou o pedido do partido de Sánchez para anular os votos dos peruanos residentes no exterior.