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São Paulo enfrenta escassez hídrica e propõe reúso de esgoto

A capital paulista e municípios vizinhos têm apenas 10% da água mínima recomendada pela ONU. Para contornar a crise, a prefeitura discute o reúso de esgoto para abastecer represas.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

A capital de São Paulo, com 21 milhões de habitantes, enfrenta uma grave escassez hídrica, com cada morador tendo acesso a menos de 10% da quantidade mínima de água recomendada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A situação é ainda mais crítica na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, onde a oferta de água é de apenas 127 metros cúbicos por ano por habitante, muito abaixo do limite de 1.700 metros cúbicos que caracteriza o estresse hídrico.

Para evitar que as torneiras sequem, a região importa mais de 50% da água de outras bacias, como a PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) e a Baixada Santista. Essa dependência gera desafios políticos e logísticos, uma vez que envolve a construção de infraestrutura complexa e a negociação com cidades que perdem parte de seus recursos hídricos.

Essas questões são abordadas no Diagnóstico PMSAI-SP, que fundamenta a minuta do Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado da Prefeitura de São Paulo. O plano, elaborado em parceria com o ONU-Habitat, ficará disponível para consulta pública até 12 de julho e propõe estratégias para os próximos 20 anos em áreas como abastecimento, esgotamento sanitário e gestão de resíduos.

Uma das propostas em destaque é o reúso de esgoto para a recarga de mananciais, uma solução considerada eficiente, mas que enfrenta resistência cultural. O reúso potável indireto já é uma prática em países como Estados Unidos, Austrália e Israel, mas gera desconfiança entre a população.

O plano prevê que o reúso em mananciais estratégicos ajude a manter os níveis das represas, especialmente em períodos de seca. Estações de tratamento em cidades como Suzano e Barueri poderiam abastecer córregos que alimentam reservatórios como o Alto Tietê.

A meta do plano é alcançar 9,2% de reúso em relação ao volume total consumido até 2045, abrangendo também aplicações na indústria e na construção civil. Para incentivar essa prática, a prefeitura estuda criar estímulos financeiros aos consumidores.

A necessidade de discutir o reúso de água é ainda mais urgente diante das mudanças climáticas e do aumento da temperatura, que pode elevar a demanda por água em até 24,9% para cada grau adicional.

Embora a Sabesp, empresa de saneamento do estado, considere que a previsão de aumento de consumo seja exagerada, reconhece a importância de reduzir a dependência das transposições entre bacias. O diretor da Sabesp, Marco Antonio Lopez Barros, destaca que o reúso poderia alimentar rios e córregos, diminuindo a necessidade de novas fontes de água.

O PMSAI também aponta a falta de uma regulamentação clara como um dos principais obstáculos para a implementação do reúso de água. A Cetesb, companhia ambiental do estado, já avançou na definição de critérios de monitoramento e qualidade para o reúso indireto potável, mas a liberação desse processo requer licenciamento específico.

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