A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se encontrou nesta terça-feira (30) com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para solicitar a prorrogação do período de prisão domiciliar do ex-presidente. O advogado Paulo Cunha Bueno compartilhou em suas redes sociais que Moraes ouviu atentamente os argumentos apresentados, que incluíam preocupações sobre a saúde de Bolsonaro e a apreensão de uma arma de fogo.
O advogado destacou que os pontos levantados são relevantes e fundamentados, o que justificaria a manutenção do regime domiciliar. Desde que Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar, em 27 de março, após uma internação por broncopneumonia, familiares e aliados têm manifestado a expectativa de que o prazo seja estendido.
No entanto, a apreensão da arma, que ocorreu em uma blitz no dia 15 de junho, gerou preocupações no gabinete de Moraes. Em um despacho recente, o ministro indicou que o incidente poderia levar à revogação da prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou não ter identificado, até o momento, uma falta disciplinar e que aguardaria o desenrolar das investigações da Polícia Civil do Distrito Federal.
A defesa argumenta que a arma foi manipulada pela equipe de segurança de Bolsonaro sem seu conhecimento, com o intuito de evitar acidentes. Interlocutores do ex-presidente acreditam que Moraes poderia estar inclinado a encerrar a prisão domiciliar, mas a posição da PGR pode influenciar essa decisão. Além disso, outros ministros do STF parecem preferir que Bolsonaro continue em casa.
A possibilidade de retorno de Bolsonaro ao sistema prisional, conhecido como Papudinha, é vista por seus apoiadores como uma ameaça à sua segurança e uma oportunidade para Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL, reforçar sua plataforma política em torno de uma suposta perseguição ao pai.
Por outro lado, pessoas próximas a Bolsonaro relatam que sua saúde apresentou melhoras, com crises de soluço menos frequentes, mas ainda consideram seu estado delicado, o que poderia dificultar uma nova prisão. Além disso, mencionam um isolamento político do ex-presidente.
Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado.