O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta desafios significativos para expandir sua influência política no Nordeste. A região, tradicionalmente dominada pelo PT, foi crucial para a vitória do presidente Lula em 2022, que obteve 12,6 milhões de votos no Nordeste, e agora Lula busca repetir esse sucesso.
Com menos de um mês até o início das convenções partidárias, o campo bolsonarista ainda não definiu candidatos ao governo em quatro estados nordestinos: Pernambuco, Ceará, Maranhão e Alagoas.
No Ceará, as negociações para uma aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) estão paralisadas, em meio a uma disputa interna no PL entre Flávio e Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama relatou ter sido maltratada por Flávio em um telefonema após um discurso em que defendeu uma aliança com Eduardo Girão (Novo). Ciro, por sua vez, afirmou que não participará de um ato de campanha que não seja do seu partido.
No Maranhão, a situação é igualmente incerta. O bolsonarista Lahesio Bonfim (Novo) desistiu de concorrer ao governo e está negociando uma candidatura ao Senado. O PL local, sob a liderança do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, anunciou apoio a dois aliados de Lula para o Senado.
Em Pernambuco, o PL não possui candidato ao governo, em uma eleição que deve ser marcada pela polarização entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Anderson Ferreira, que foi candidato em 2022, desistiu da disputa e agora concorrerá a deputado federal.
Na Alagoas, o PL perdeu força após a saída do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, para o PSDB. O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) está considerando uma candidatura ao Senado, mas não há candidato ao governo.
A situação no Sergipe também é complicada, com a saída do ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, do PL. O partido lançou a candidatura do vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques, que não contará com o apoio da prefeita.
No Piauí, o PL lançou a candidatura do jornalista Toni Rodrigues, mas enfrenta dificuldades, já que os principais partidos de oposição ao governador Rafael Fonteles (PT) estão com Joel Rodrigues (PP).
Na Bahia, o PL formou uma aliança com ACM Neto (União Brasil) contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT). ACM Neto tem evitado se associar à disputa nacional, o que gera pressão de bolsonaristas para que ele apoie Flávio.
Os palanques mais estruturados para Flávio estão na Paraíba e no Rio Grande do Norte, onde o PL ganhou força com novos quadros. Efraim Filho, que trocou o União Brasil pelo PL, está concorrendo ao governo da Paraíba e fará campanha conjunta com Flávio.
No Rio Grande do Norte, o PL tem Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal, como candidato ao governo, buscando se posicionar como a principal alternativa da direita.
O cientista político Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, analisa que as dificuldades de Flávio no Nordeste não se devem apenas à força do PT, mas também ao pragmatismo das lideranças locais, que preferem manter boas relações com o governo federal.
Gomes destaca que o Nordeste não deve ser visto como um bloco homogêneo, observando uma "geografia política de dupla velocidade", onde o lulismo ainda é forte no interior, enquanto o bolsonarismo cresce nas áreas urbanas.