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Investigação apura morte de recém-nascida em Picos após parto

O Ministério Público do Piauí investiga a morte de uma recém-nascida no Hospital Regional Justino Luz, em Picos, ocorrida cinco minutos após o parto, em 3 de janeiro. A mãe acusa negligência médica durante o atendimento.
Foto: Mãe acusa negligência após bebê morrer cinco minutos após parto no PI

O Ministério Público do Piauí (MPPI) está investigando a morte de uma recém-nascida no Hospital Regional Justino Luz, em Picos, ocorrida no dia 3 de janeiro deste ano, logo após o parto. A mãe da criança, uma jovem de 22 anos, alega que a morte foi resultado de negligência médica.

De acordo com o procedimento administrativo, a investigação busca esclarecer possíveis falhas na prestação dos serviços de obstetrícia da unidade de saúde. O promotor de Justiça Paulo Maurício Gusmão, responsável pelo caso, destaca que a médica que realizou o parto não havia concluído a residência médica e não permaneceu na sala durante o procedimento.

A mãe relatou que estava com 39 semanas de gestação e não teve complicações durante a gravidez. Ela deu entrada no hospital após o rompimento da bolsa e, conforme a denúncia, o trabalho de parto evoluiu normalmente até a troca de plantão, quando a médica denunciada assumiu o atendimento. A mãe, exausta e com dilatação total, solicitou uma cesariana, mas o pedido foi negado.

Segundo a denúncia, a médica deixou a sala de parto em diferentes momentos e, horas depois, a recém-nascida nasceu em estado grave, falecendo cerca de cinco minutos após o parto. A profissional retornou apenas para realizar a sutura da mãe, sem manter contato posterior.

Na manhã seguinte, a mãe pediu uma avaliação médica para receber alta e participar do velório da filha, mas a médica informou que a examinaria apenas às 14h. A liberação só ocorreu após a intervenção de uma assistente social.

A jovem também apontou divergências entre os horários registrados no prontuário médico e possíveis alterações na documentação hospitalar. Além disso, a mãe questiona a legalidade da atuação da médica, que ainda estava em residência e não possuía registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) na data do parto.

Em resposta ao MPPI, o hospital afirmou que a definição da via de parto é um ato médico privativo e que a paciente foi admitida com evolução obstétrica normal. A gerência do hospital acrescentou que a médica estava disponível para avaliação e que a condução do parto vaginal é uma prática permitida para enfermeiras obstetras.

O CRM informou que uma sindicância foi instaurada para apurar os fatos. A jovem, por sua vez, questionou a imparcialidade da apuração interna do hospital, alegando que o diretor técnico tinha vínculos com a família da médica.

Além disso, a mãe denunciou que, mesmo após registrar um boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil, nenhum inquérito foi instaurado em mais de três meses. O delegado que registrou o caso é irmão da médica investigada, levando a família a solicitar a designação de outra autoridade policial para conduzir as investigações.

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