Por Nonato Guedes
Em entrevista exclusiva ao “Polêmica Paraíba”, o senador Efraim Filho (PL), pré-candidato ao governo do Estado pela direita, com o apoio do bolsonarismo, falou sobre seu programa que será apresentado na campanha e antecipou uma das propostas ousadas que cogita pôr em prática: conseguir baixar impostos no primeiro mês de gestão em 2027.
A redução de tributos será uma das minhas primeiras medidas — explicou ele, protestando contra o atual governo pelo aumento recente do ICMS de 18 para 20%. Salientou que nem assim o erário conseguiu arrecadar mais, “o que é incrível, porque empresas fecharam portas, outras escolheram o caminho da sonegação porque não podiam pagar e o governo foi inadimplente. Meu compromisso é o de valorizar e incentivar quem produz no Estado”, acentuou.
O parlamentar – que ainda não definiu candidatura a vice-governador na sua chapa, mas terá o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, como postulante ao Senado, já recrutou uma equipe de especialistas de alto nível técnico para formular o Plano de Desenvolvimento para a Paraíba, com base nas suas ideias. Um dos expoentes da equipe é Erik Figueiredo, ex-presidente do Ipea, um órgão federal respeitado, natural da Paraíba, que brilhou lá fora mas que ama o Estado. Erik fez plano de desenvolvimento para o Estado de Goiás,
um dos Estados que mais cresceram acima do PIB nacional
. O médico Gláucio Nóbrega, que tem Mestrado e Doutorado na área de governança, também está integrado. “Penso em fazer um governo sintonizado com o que há de mais disruptivo em termos de governança digital, IA na gestão pública, velocidade nas decisões administrativas”, assegurou o senador.
Efraim Filho avalia que é muito forte o sentimento de mudança entre segmentos da população paraibana, citando que o grupo que está no poder já se encontra há dezesseis anos e que é hora de haver alternância no comando dos destinos da Paraíba.
É hora da Paraíba tomar um fôlego, oxigenar as suas ideias, de construirmos uma Paraíba mais ágil, mais empreendedora, que tem entregado menos do que o paraibano merece. Nós temos ainda muitas falhas nas políticas públicas do Estado, a exemplo de abastecimento d’agua, a insegurança que amedronta as famílias paraibanas com a escalada de violência, problema no abastecimento d’agua e colapso em diversas unidades de saúde
, diagnosticou o senador Efraim Filho, que em 2022 elegeu-se senador derrotando pesos-pesados da política paraibana como o ex-governador Ricardo Coutinho e a candidata lançada pelo governo João Azevêdo, Pollyanna Werton, na época filiada ao PSB.
O senador do PL acredita na vitória de seu colega Flávio Bolsonaro à Presidência da República, diz que o presidente Lula não correspondeu às expectativas do Nordeste e que boa parte do eleitorado está ávida por uma renovação no cenário de poder.
Além de ser senador jovem, sou um senador trabalhador e ficha limpa, tendo sido escolhido este ano como o melhor mandato de senador do Congresso Nacional. O que eu quero para a Paraíba é que seja o melhor Estado para se viver, para investir e para trabalhar, e o melhor Estado para a gente poder criar em paz os nossos filhos. Este é o propósito que tem levado adiante nas caminhadas
.
A ENTREVISTA
Qual a avaliação que o senhor faz da caminhada empreendida até agora como pré-candidato a governador pelo PL?
A nossa caminhada é baseada em um propósito: oferecer uma alternativa de mudança à Paraíba. O grupo que está aí no poder já se encontra há dezesseis anos. É muito tempo, é hora de ter uma alternância, é hora da Paraíba tomar um fôlego, oxigenar as suas ideias, uma Paraíba que pode ser mais ágil, mais empreendedora, que tem entregado menos do que o paraibano merece. Nós ainda temos muitas falhas nas políticas públicas do Estado, a exemplo de abastecimento de água, de colapso em diversas unidades de saúde, a insegurança que amedronta as famílias paraibanas com a escalada da violência que tem assustado a todos; nós temos, também, problemas para quem quer empreender. A Paraíba é um Estado caro, que cobra muito imposto, é campeão de imposto na cesta básica, aumentou recentemente o imposto do combustível, até as energias renováveis, hoje, que são uma vocação econômica, têm sofrido taxação por parte do parte do governo, então há muito para que se possa avançar, e nós estamos com essa agenda, que graças a Deus tem sido bem recebida nas ruas, pelas pessoas. O governo já vem do resultado de 2022, que não foi um resultado folgado – foi 52 a 48 no segundo turno, ou seja, uma alternância de 2% dos votos pode mudar o resultado. É exatamente isto que nós acreditamos que sejamos capazes de alcançar e trazer a vitória da oposição na Paraíba.
Em termos pessoais, além da aspiração legítima de querer governar o Estado, o que influenciou mais fortemente na decisão da sua candidatura?
Quem ama a Paraíba luta por ela. Eu sou um apaixonado por meu Estado, sou muito grato a Deus pelas oportunidades que a vida me trouxe, ser eleito o senador mais jovem da história da Paraíba, na época aos 43 anos, então a vontade de retribuir ao Estado, de entregar a melhor gestão que este Estado pode ter é o que me move, que eu trago no coração. É a oportunidade de entregar o melhor mandato de governador que a Paraíba já viu. Isso não é um sonho distante. Além de senador jovem, sou um senador trabalhador, ficha limpa, conquistei isso com o carinho e a confiança das pessoas, obtendo 617 mil votos, e concluí este ano de 2026 sendo escolhido pelo ranking dos políticos, observatório de imprensa, órgão da sociedade civil mais criterioso e com maior legitimidade em Brasília, como o melhor mandato de senador do Congresso Nacional. Se eu fui capaz de entregar o melhor mandato de senador do Brasil, o que eu quero para a Paraíba é que seja o melhor Estado para se viver, para investir e trabalhar, e o melhor Estado para a gente poder criar em paz os nossos filhos. Este é o propósito que tem me levado adiante nas caminhadas.
Qual a diferença que o senhor faz entre o Executivo e o Legislativo, sabendo-se que sua atuação política começou pelo Parlamento?
Eu diria que o Legislativo é a arte do pensar e o Executivo é a arte do fazer. No Legislativo você é um de 513 na Câmara dos Deputado ou um de 81 no Senado. Nem sempre as suas ideias são as que prevalecem. Você tem que ter habilidade e capacidade de costurar a maioria, ser majoritário para poder avançar com seus projetos. O Executivo consegue entregar velocidade e capacidade de ação. Então, implementar será o meu grande desafio no Executivo. Acho que por todos os cantos há boas ideias e diagnósticos. O que eu quero, no Executivo, é a oportunidade de colocar em prática, de implementar as ideias que eu defendo tanto, de uma Paraíba empreendedora, de uma Paraíba com liberdade econômica, de uma Paraíba provida, pró-família, pró-liberdade. Este é o meu desafio.
Na sua opinião, em que áreas o governo João Azevêdo falhou mais nesses quase dois períodos em que ele empalmou o governo do Estado?
Segurança e Água. Eu acho que esses dois temas estão bem claros em qualquer enquete, em qualquer pesquisa de opinião pública que se faça. O cidadão paraibano, hoje, é um cidadão com medo da escalada da violência. O que era um drama nas periferias das grandes cidades hoje chega às pequenas e médias cidades, à zona rural, no interior do nosso Estado. Qualquer um de nós, se estivermos na rua deserta, à luz do dia, e vierem dois homens em uma moto, o coração da gente já palpita, e se passou e não aconteceu nada, a gente respira. Esse não era o sentimento de uma Paraíba de dez anos atrás. Pessoas de gerações inteiras costumavam colocar cadeiras nas calçadas e conversar com os vizinhos até altas horas da noite. Hoje é inimaginável se fazer isso; começou a anoitecer, as pessoas já se trancam dentro das suas casas e, se puder, tem muro alto, tem grade, tem cadeado, tem cerca elétrica, tem monitoramento de câmeras, tem pitbull nas portas, as casas estão virando quase prisões, com as pessoas encarceradas e longe das ruas porque estas estão tomadas pelos bandidos. E a Paraíba não quer alianças com facções criminosas, não quer políticos que façam pacto com a bandidagem. Ela quer quem tem coragem e experiência para fazer esse enfrentamento. Eu acho que entre os candidatos que estão postos, aquele que tem o melhor perfil para fazer esse enfrentamento é o de Efraim, e digo: no meu governo, seremos rigorosos com a bandidagem, valorizaremos o policial, as forças de segurança, para que possamos conseguir nesse tripé: mais recursos tecnológicos, mais recursos financeiros e mais recursos humanos, a solução para esse tema da segurança pública. Na água, são oito anos de governo João Azevêdo, com mais oito anos de governo Ricardo Coutinho, onde João Azevêdo era o secretário de Recursos Hídricos. Ou seja, João Azevêdo está há 16 anos à frente das políticas públicas de água na Paraíba e só foram feitas oito barragens nesses anos, e boa parte delas com recursos federais. É muito pouco para o Estado, que precisa ter uma política de segurança hídrica, de irrigação, para quem quer plantar, para quem quer colher nas regiões com vocação econômica. Hoje se abre a torneira e a água sai suja em boa parte do Estado da Paraíba. É o compromisso mais simples do mundo, mas no meu governo eu vou me preocupar em oferecer água limpa aos 223 municípios. Esses temas têm doído no coração do cidadão paraibano, sem falarmos nos escândalos na Saúde, no Trauma, depois no Metropolitano, agora no PB Saúde. Isso tem causado uma dor, realmente, na alma do cidadão paraibano.
O senhor diria, também, que o governo Lula, que prometeu investir em obras estruturantes na Paraíba, não correspondeu à expectativa?
Diria sim. O que ficou como marca do governo Lula é que ele frustrou muitas expectativas que foram criadas no seu governo. As pessoas acreditaram na esperança de que houvesse um governo que oferecesse ao Brasil um caminho totalmente diferente do que a gente viu nesses quatro anos. Portanto, essas obras estruturantes não chegaram. Cadê as adutoras que não avançaram? Cadê a conclusão da BR-230, da Alça Sudoeste, lá em Campina Grande? Cadê o terceiro eixo da transposição do São Francisco no rio Piancó? Essas obras não chegaram. Na Paraíba, no interior, na maioria das cidades, a obra que tem é um asfalto e ficou naquilo mesmo. Ou seja, faltou política pública para um Estado que arrota ser um Estado rico, com 4 bilhões e meio em caixa e no qual políticas públicas não acontecem. Escândalos como o Prato Cheio, o Tá na Mesa, que cuidam de famílias desamparadas, que precisam de um prato de alimentação a 1 real. E o governo desviou recursos desses programas – mais de 140 milhões. Quem está dizendo não sou eu, é o Gaeco. Fatos denunciados e recebidos pela Justiça da Paraíba. Isto é gravíssimo. E o que é o governo se reporta sobre isto? Faz boquinha de siri, fica caladinho, não faz um comentário, não tem uma justificativa. Simplesmente espera o tempo passar para ver se isso fica fazendo parte da paisagem, mas nós não vamos permitir. Não podemos perder a capacidade de nos indignarmos diante do roubo de um prato de comida de uma família que precisa muito. É isso que não deixaremos se apagar. É muito fácil o governo fazer propaganda de forma unilateral, mas a Paraíba da revista de propaganda é diferente da Paraíba da vida real e os debates vão nos dar a condição de colocar frente à frente os problemas da vida real sobre os quais o governo se cala, mesmo com dois secretários envolvidos e denunciados em escândalo de superfaturamento, fraude e improbidade no “Tá na Mesa” e no “Prato Cheio”.
O senhor tem insistido como espécie de “mantra” que estará no segundo turno da eleição para governador da Paraíba. Em que o senhor se baseia concretamente para alimentar essa convicção com tanta segurança?
Primeiro na minha experiência na campanha para senador, de quatro anos atrás, que foi uma campanha de ousadia, de audácia, de coragem, de quem colocou o pé na estrada, teve a coragem de romper com os governos para sair para a oposição. E quando muita gente desacreditava da nossa proposta, a Paraíba acreditou num senador jovem, trabalhador e ficha limpa. Quando as urnas abriram – e eu não ganhei nenhuma pesquisa, as pesquisas publicadas iam por outro caminho, eu ganhei com 617 mil votos, 159 mil votos de maioria, longe do segundo lugar, derrotando o governo. Então, eu sou bom de derrotar governo. Derrotei em 2022 na campanha para o Senado e estou pronto para derrotar novamente, agora em 2026. Pode juntar todos os políticos do lado de lá. O que a gente tem visto é governo usando a força da máquina, é a república dos contracheques, seja da prefeitura da Capital, seja do governo do Estado. Quando vem uma adesão, ela vem acompanhada de um contracheque, ou na prefeitura ou no governo. É assim que está ocorrendo com a cooptação das lideranças políticas. A gente vê familiares ocupando cargos importantes, viu o desmonte da Secretaria de Turismo, algo que é uma vocação econômica da Paraíba, que tem que ser gestão profissional porque gera emprego, gera renda. 0 trading turístico paraibano depende da condução desse processo, mas virou cabide de emprego para colocar um ex-prefeito. É preciso olhar para esses temas da gestão e avaliar que a Paraíba está no rumo errado. 0 governo Lucas Ribeiro é um governo novo que nasceu velho, praticando a velha política arcaica, obsoleta, ultrapassada, as pessoas já começaram a perceber isso. Além disso, é um governo que nasceu sob suspeitas. O leilão da Cagepa ainda é uma pergunta sem resposta na mente do cidadão paraibano. Como é que se tem um leilão onde apenas um interessado participa? Não é nem questão de mérito, se é privatização, se é concessão, se é leilão. É questão de procedimento que nos assusta, faltou transparência, diálogo com as universidades, com os sindicatos, com as ruas, com a Assembleia. Do dia para a noite a Paraíba acorda com a notícia que não foi divulgada, não foi comentada, não foi discutida com o maior interessado que é o cidadão paraibano, nem com os funcionários da Cagepa. Então, o governo tem errado e nós acreditamos, sim, que estamos com os dois pés no segundo turno e chegando ao segundo turno vamos vencer as eleições, porque cada campanha tem aquela mensagem subliminar, que fica na mente das pessoas. O que eu tenho escutado é que as pessoas, vendo a força do governo, mas ao mesmo tempo vendo a nossa coragem de enfrentá-lo, tem dito o seguinte: se Efraim chegar ao segundo turno, ele leva. Eu tenho convicção de que estarei no segundo turno e aí a confiança das pessoas me fará vencer as eleições.
O senhor tem um prognóstico sobre quem iria enfrentar num segundo turno – o atual governador Lucas Ribeiro ou o ex-prefeito Cícero Lucena?
Esta é uma pergunta muito perigosa, porque, aproveitando o cenário de Copa do Mundo, não dá para a gente escolher adversário. Quem quer ser campeão tem que estar pronto para enfrentar qualquer adversário. Então, creio que teremos um enfrentamento, seja com Lucas, seja com Cícero, e estou preocupado em fazer o meu, cuidar da minha agenda, respeitar os meus princípios, fazer com que as pessoas que pensam como eu penso, que acreditam no que eu acredito, nessa Paraíba pró-vida, pró-família, o empreendedor, contra a escalada da violência, seja a Paraíba que vai vencer nas urnas. O governo tem a sua força, a máquina do governo está atuando, a prefeitura da Capital também tem a sua república de contracheques, são duas máquinas poderosas contra um líder da oposição, que é o meu caso. Então, deixa os políticos ficarem todos do lado de lá. Se eu tiver o povo ao meu lado, eu vou estar pronto para vencer as eleições.
O que o senhor acha da polêmica das emendas parlamentares? Acha que tem havido excesso na destinação de recursos e que o mecanismo de liberação de emendas deve ser revisto ou não?
Eu tenho defendido que dois pontos devem ser essenciais na questão das emendas: transparência e rastreabilidade, que significa você saber de onde veio aquele recurso, e saber como ele foi aplicado, que é a prestação de contas, a transparência. Agora, eu sou daqueles que acredita que os municípios esperam dos seus representantes investimentos. E quem faz bem feito, como a gente faz, tem ajudado a melhorar a vida das cidades, inclusive, eu acredito que não há para que estar na vida pública, ocupar espaços de poder, se não for para ajudar a transformar para melhor a vida das pessoas. Então, uma unidade de saúde que eu consigo levar ao município de São Mamede faz com que uma mãe, com uma filha doente nos braços, encontre atendimento mais perto de casa; uma creche, uma escola, que a gente consegue levantar os muros, na cidade de Catolé do Rocha, faz com que a gente ofereça, aos nossos jovens, às nossas crianças, uma oportunidade de futuro melhor, estudando num lugar mais qualificado, mais preparado, um calçamento de rua, que às vezes parece uma obra secundária, de pouca importância, mas que para uma mãe que vê os seus filhos brincando na poeira quando faz sol ou na lama quando chove, quando o calçamento chega é a dignidade chegando para aquela família. Eu não demonizo as emendas, muito pelo contrário, elas sendo bem aplicadas têm condições de ajudar a transformar melhor a vida das pessoas. Por exemplo: eu falei que o governo falhou na questão da água e eu consegui, através de emendas, que a barragem Acauã passasse a oferecer segurança hídrica. Não foi com recursos do governo do Estado, mas com recursos nossos, aqui como destinamos para o Hospital Metropolitano a maior emenda de saúde da história da Paraíba – 20 milhões de reais – em qualquer tempo, em qualquer época. E isto foi trazido por um parlamentar, salvando vidas em calamidades como a da covid graças aos equipamentos carreados. Eu fico com a cabeça no travesseiro por ter sido um dos maiores incentivadores desses recursos através das emendas que fomos buscar em Brasília.
Quer dizer: as emendas não esvaziam a atuação do Executivo, mas suprem ou complementam essa atuação?
Sim, nesse sentido. E eu hei de confiar, percorrendo, como percorro, a Paraíba, de ponta a ponta e conhecendo as realidades do cariri, do Alto Sertão, em que sei o que é muito melhor para um município do que um burocrata, técnico, num gabinete com ar condicionado, de terno e gravata, dentro de um ministério em Brasília. É muito melhor que eu seja capaz de apontar, dialogando com as pessoas, que uma cidade precisa, na verdade, de um posto de saúde, e não de um ginásio de esportes, do que chegar um cara lá do Ministério dos Esportes direcionando onde é que precisa ter quadra de esportes. Essas coisas, o representante da população é quem dialoga com a vida real dos municípios, e eu me acredito muito mais capaz de identificar essas necessidades do que o assessor de um ministro na comodidade do ar condicionado dos gabinetes de Brasília.
Em algumas entrevistas o senhor chegou a qualificar o ex-prefeito Cícero Lucena não como um candidato de oposição, mas como um dissidente do governo com o qual manteve parceria até mais ou menos abril, quando também deixou a prefeitura. O senhor mantém esse ponto de vista de que ele não é candidato de oposição?
Os fatos demonstram que o próprio Cícero tentou ser o candidato do governo, lutou para ser o candidato de João Azevêdo. Quando João fez a escolha por Lucas Ribeiro, Cícero rompeu e, aí, sim, veio para o campo das oposições. Mas quem segurou o bastão da oposição, de fazer o enfrentamento do governo, de entender que a Paraíba precisa dessa alternância de poder, fui eu. Quem quer mudança verdadeira na Paraíba vem comigo. Eu sou oposição ao governo federal, sou oposição ao governo estadual, sou oposição à prefeitura da Capital. Então, quem tem legitimidade para falar em mudanças está aqui. E espero que aqueles que querem uma Paraíba diferente me apoiem para mudar esse grupo que está aí há 16 anos no poder. A família Ribeiro quer dar continuidade à Paraíba que está aí. E eu quero uma Paraíba diferente, uma Paraíba mais ágil, mais veloz, empreendedora. Não é admissível que alguém que queira empreender tenha que se submeter a exigências absurdas junto a órgãos do governo do Estado. O que precisamos é tirar jovens e pais de família da fila do desemprego e oferecer-lhes oportunidades, sem burocracia, sem ter que se submeterem a uma saga para tirar uma licença na Sudema. Eu governador vou para dentro da Sudema, saber por que é que demora tanto, quem são os responsáveis, e determinar que as respostas sejam rápidas, ou sim ou não. E se não for um não, qual é a diligência que precisa complementar, o que pode ser corrigido? O que não pode é a gente perder esses investimentos que às vezes querem vir para a Paraíba e o governo de Pernambuco, ou do Rio Grande do Norte, acabam levando esses empreendimentos por serem mais ágeis. A Paraíba tem empresas fechadas, como a Rio Alto, de energias renováveis, em Santa Luzia. A taxação do solo é absurda. Por que a Paraíba cobra imposto das energias renováveis, e Rio Grande do Norte e Pernambuco não cobram? Eu vou prezar para que quem empreenda na Paraíba tenha oportunidade mais fácil, mais ágil e mais barata para abrir o seu negócio.
O senhor acha que sua filiação ao PL, com a entronização como pré-candidato ao governo, fortaleceu mais ainda a sua candidatura?
Acredito que sim, e quero agradecer a Michelle Bolsonaro, a Marcelo Queiroga, a Cabo Gilberto, Walbber Virgolino, que foram os primeiros que abriram as portas para que a gente fizesse essa aliança com o PL ainda na época do União Brasil e, depois, ao senador Flávio Bolsonaro, meu colega de bancada, pelo apoio para que a gente pudesse vir assumir o comando do PL na Paraíba e assumir essa candidatura a governo, que fortalece um projeto nacional, não tenho dúvidas disso. Prevejo um crescimento da direita aqui na Paraíba. Finalizamos a urna em 2022 com 36% dos votos, então, essa história de que a direita tem teto na Paraíba é só olhar para a urna. Acredito que nesta eleição vamos passar dos 40%. Agora, qual é a minha vantagem? Eu também tenho o meu perfil político, com minha história de vida, no diálogo com as forças de centro. Eu consigo aglutinar, consigo agregar o centro da Paraíba, que ao vir conosco no segundo turno nos dará acima dos 50% que a gente precisa para vencer as eleições. E tem também a questão da ocupação de espaços. Nós temos claramente dois candidatos que brigam pelo apoio de Lula – Lucas Ribeiro e Cícero Lucena, que brigam pelo apoio do PT na sua chapa. Então, estamos sozinhos no campo da direita e isto nos dá a perspectiva da chegada ao segundo turno e, no segundo turno, agregando o cento, venceremos as eleições.
Para o senhor, então, o centro decide a eleição majoritária na Paraíba?
É uma construção a ser feita. Na minha estratégia, agrego os votos da direita, que estarão acompanhando Flávio Bolsonaro, Marcelo Queiroga, mas para vencermos é preciso ter um perfil conciliador, com habilidade de agregar, com serenidade na tomada de decisões e eu tenho recebido essa confiança desde 2022 quando a Paraíba fez a opção de derrotar o governo e escolheu um senador jovem, trabalhador e ficha limpa.
Qual sua avaliação sobre a performance do senador Flávio Bolsonaro nesta fase inicial?
É fato que surpreendeu a muitos o crescimento meteórico, chegando a empate técnico com o presidente Lula. Muitos analistas previam que esse acirramento ocorresse apenas quando a campanha iniciasse, e o que está acontecendo é que já na pré-campanha você tem um cenário de empate técnico, que voltou a acontecer mesmo depois das turbulências do caso Master, que também atingiram o governo, através do seu líder no Senado, Jacques Wagner. Então, a campanha, para mim, será mais uma vez polarizada, será acirrada. A candidatura de Flávio é competitiva e eu acredito na sua vitória, porque acho que o Brasil também quer mudança, depois de ter acreditado nas promessas de Lula em 2022. Lula não conseguiu entregar aquilo com que se comprometeu, houve uma frustração dessas expectativas, da picanha mais barata que chegaria no prato do brasileiro e se deu o contrário. A feira só aumenta, a inflação está corroendo o salário do cidadão brasileiro e paraibano. E também o sentimento de um Brasil com medo na escalada da violência faz com que o eleitor encontre na direita um programa mais forte, de enfrentamento à bandidagem, e acho que isto também será decisivo para a vitória de Flávio a nível nacional.
O senhor acha que a direita tem condições de conseguir uma das vagas na Paraíba nas eleições deste ano?
Acho que sim, a candidatura de Marcelo Queiroga é uma candidatura competitiva, principalmente se conseguir fidelizar o voto da direita. Se ele tiver os 36% dos votos da direita em 2022, só a direita com a candidatura ao Senado é capaz de transformá-la em competitiva. Claro que tem que buscar agregar, conquistar essas mentes e corações, mas ela tem uma largada competitiva, e eu acredito que, sim, mesmo correndo por fora, a candidatura de Marcelo Queiroga pode chegar para disputar cabeça com cabeça com as demais, porque do lado de lá nós vemos um cenário de briga, de confusão, de indefinição. São três candidaturas no campo da esquerda e Marcelo tem a vantagem de estar mais alinhado com o segmento da direita.
Ficou algum rescaldo do não entendimento com Pedro Cunha Lima (PSD) que não declarou apoio à sua candidatura e preferiu apoiar Cícero Lucena?
Não. Zero problema, zero rancor. Não trabalho com mágoas. Acho que são decisões da política. Pode haver discordância. No lugar de Pedro, eu teria ficado do nosso lado porque a gente tem mais identidade naquilo que ele defende – choque de gestão, inovação nas políticas públicas, eliminação do desperdício do dinheiro público, ele encontra muito mais na agenda que eu defendo. Essa identidade poderia facilitar a aproximação, mas Pedro teve outras razões, e seus motivos, junto com Cássio, para fazer a sua escolha, e vida que segue. Não sou de ficar olhando pelo retrovisor. Continuei seguindo meu rumo com o apoio de Bruno Cunha Lima na prefeitura de Campina Grande, acho que a gente tem tudo para sair vencedor em Campina Grande.
Como está a elaboração do seu programa de governo? Já há uma equipe mobilizada nesse sentido?
Já. Temos trabalhado, fizemos eventos que repercutiram, inclusive, tanto em rede social quanto presencial. Nós temos um site que está aberto para receber sugestões e a receptividade tem sido excelente, porque temos grandes especialistas. Fui buscar, por exemplo, para elaborar um Plano de Desenvolvimento para a Paraíba, o doutor Erik Figueiredo, ex-presidente do Ipea, um órgão federal. É um paraibano, que brilhou lá fora mas ama a Paraíba. Erik fez plano para o desenvolvimento de Goiás, um dos Estados que mais cresceram bem acima da média do PIB nacional. Mas o que eu gosto mesmo é de conversar com o maior especialista em Paraíba e que vive ela todo dia, que é o cidadão paraibano. O médico Gláucio Nóbrega, que tem Mestrado e Doutorado na área de Governança, também está integrado. Penso em fazer um governo sintonizado com o que há de mais disruptivo em termos de governança digital, IA na gestão pública, velocidade nas decisões administrativas. Eu já tenho uma proposta que trago, aqui, com exclusividade: conseguirei baixar imposto no primeiro mês de governo. Uma das primeiras medidas minhas será reduzir imposto. A Paraíba aumentou recentemente o ICMS de 18 para 20%. Para quem paga o imposto, é um aumento de 12%. E o governo não arrecadou mais, o que é incrível, porque empresas fecharam portas, outras escolheram o caminho da sonegação porque não podiam pagar, e o governo foi inadimplente. Minha primeira medida de governo será reduzir imposto na Paraíba para valorizar e incentivar quem produz no Estado.
Fonte: Polemicaparaiba