O governo de Burkina Faso decidiu romper suas relações diplomáticas com a França, alegando que o país europeu mantém "visões imperialistas" em relação à nação africana. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Ministério das Comunicações de Burkina Faso.
Gilbert Ouedraogo, ministro das Comunicações, afirmou que as condições para estabelecer "relações fundadas no respeito mútuo" já não existem. Além disso, ele acusou a França, sob a liderança de Emmanuel Macron, de apoiar insurgentes e grupos terroristas que atuam em Burkina Faso.
O ministro destacou que a postura da França se traduz em um "ativismo incessante
contra os interesses de Burkina Faso, caracterizando ações como ambições neocoloniais, apoio a redes subversivas e discursos que tornam o país um
pária da comunidade internacional".
O distanciamento entre Burkina Faso e a França não é recente, tendo se intensificado desde 2022, após a deposição do presidente interino Paul-Henri Sandaogo Damiba em um golpe militar. A atual liderança militar, sob Ibrahim Traoré, se uniu a Mali e Níger, formando a Aliança dos Estados do Sahel (AES).
Essas nações têm buscado alternativas à influência francesa, que colonizou os três países e manteve laços após a independência. A Rússia tem se apresentado como uma opção, especialmente após críticas à França por sua suposta falta de cooperação no combate ao terrorismo na região.
Nos últimos anos, Burkina Faso, Mali e Níger solicitaram a retirada das tropas francesas de seus territórios, refletindo um crescente descontentamento com a presença militar da França na África Ocidental.