Neste domingo (21), a Colômbia elegeu Abelardo de la Espriella como seu novo presidente, marcando uma mudança significativa na política do país. Com 99,58% das urnas apuradas, Espriella obteve 49,66% dos votos, enquanto seu adversário, Iván Cepeda, recebeu 48,69%.
A vitória de Espriella se insere em um contexto de ascensão da ultradireita na América Latina, seguindo tendências observadas em países como El Salvador, Argentina, Equador e Chile. O advogado de 47 anos, que assume pela primeira vez um cargo público, liderará a Colômbia, que possui uma população de cerca de 53 milhões de habitantes e um PIB estimado em quase US$ 419 bilhões para 2024.
Durante a campanha, Espriella adotou uma retórica agressiva, desprezando a classe política tradicional e se posicionando como um representante dos "que nunca" tiveram voz. Ele prometeu uma abordagem rigorosa em relação à segurança pública, um tema que voltou a ser uma preocupação central para os colombianos, especialmente após os Acordos de Paz com as Farc.
A estratégia de Espriella incluiu ataques diretos a seus adversários, chamando-os de criminosos e narcoterroristas. Ele também fez referência a polêmicas de sua carreira como advogado, onde defendeu figuras controversas, mas conseguiu desviar a atenção dessas questões ao enfatizar seu sucesso financeiro em comparação com Cepeda.
A eleição ocorre em um momento de polarização política, com a participação recorde de quase 24 milhões de colombianos. A médica Paula Mora expressou sua frustração com a vitória da extrema direita, enquanto o estudante Samuel Esteban defendeu a escolha de Espriella, citando preocupações com a segurança no campo.
Após a eleição, o clima no país é de expectativa e apreensão. Lojas e bancos em Bogotá tomaram precauções, colocando tapumes em suas vitrines, temendo protestos após a divulgação dos resultados. O ex-presidente Gustavo Petro, que denunciou uma suposta fraude, não se comprometeu a aceitar os resultados preliminares.