A República Democrática do Congo enfrenta um grave surto de ebola, com 1.003 casos confirmados e 254 mortes até a noite de domingo, 21 de junho. O aumento significativo de óbitos desde o início de maio gerou preocupações entre as autoridades locais e organizações humanitárias.
Na última sexta-feira, 19 de junho, uma bebê de seis meses foi enterrada após falecer em decorrência da doença no leste do país. Outras mortes foram registradas em um campo para deslocados, onde a situação se torna cada vez mais alarmante.
O campo de deslocados de Kigonze, localizado em Bunia, abriga mais de 15 mil pessoas que fugiram de conflitos armados. Historicamente, o local registrava entre uma e três mortes mensais, mas somente nesta semana, dez moradores foram enterrados.
Embora nem todas as mortes tenham sido oficialmente atribuídas ao ebola, muitos dos falecidos apresentavam sintomas compatíveis com a doença, como febre e vômitos. O porta-voz do campo, Désiré Grodya Bapi, informou que amostras de cinco vítimas foram coletadas, com alguns testes confirmando a presença do vírus.
O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio, embora os primeiros óbitos tenham ocorrido antes dessa data. A real extensão da epidemia ainda é incerta, pois muitos moradores resistem a realizar testes em pacientes e corpos, dificultando o controle da situação.
Organizações humanitárias alertam que as precárias condições sanitárias no campo de Kigonze podem facilitar a disseminação do ebola e de outras doenças infecciosas. As famílias vivem em barracas improvisadas, com banheiros insuficientes que frequentemente transbordam.
A transmissão do ebola ocorre pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas. A situação é ainda mais preocupante devido à redução de recursos destinados a água, saneamento e higiene, com o financiamento para essas áreas caindo drasticamente.
Dados das Nações Unidas indicam que, neste ano, apenas 21% dos US$ 80 milhões solicitados para ações humanitárias foram efetivamente financiados. Programas essenciais para o abastecimento de água e construção de banheiros foram reduzidos ou suspensos.
A província de Ituri, onde está localizado Bunia, concentra mais de 90% dos casos confirmados do surto. As autoridades de saúde estão intensificando os esforços de testagem e rastreamento de contatos, mas enfrentam desafios significativos, incluindo a resistência da população e a precariedade da infraestrutura.