Na última quinta-feira (18), o Parlamento de Cuba aprovou, por unanimidade, um conjunto de 176 propostas de reformas econômicas que visam ampliar o espaço do setor privado no país. A votação ocorreu em uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular, com a presença de mais de 400 deputados.
As reformas, que já contavam com o apoio da liderança do Partido Comunista e do ex-presidente Raúl Castro, de 95 anos, abrangem diversas áreas, incluindo câmbio, turismo, bancos, agricultura, investimento estrangeiro e impostos. Os deputados aprovaram as mudanças levantando as mãos, conforme relatado por agências de notícias.
Economistas têm opiniões divergentes sobre o impacto das reformas. Daniel Torralbas, economista, afirmou que este é o programa de reforma econômica mais significativo dos últimos 70 anos em Cuba, desde a Revolução de 1959. Por outro lado, o cientista político Daniel Pedreira expressou preocupação de que as mudanças possam ser limitadas ou temporárias, citando o histórico do governo cubano em reverter aberturas econômicas.
As novas medidas incluem a transformação de empresas estatais em entidades comerciais, a permissão para empresas privadas com mais de 100 funcionários e a autorização para a participação de capital estrangeiro no setor privado. Além disso, os cubanos poderão abrir contas em moeda estrangeira e ter mais de um negócio.
O presidente Miguel Díaz-Canel destacou que as reformas visam ajustar a economia sem abandonar o modelo socialista, afirmando que
são transformações que visam corrigir o rumo, mas sempre em defesa do socialismo
. Ele também negou que as mudanças sejam uma resposta à pressão dos Estados Unidos, caracterizando-as como um ato soberano.
Cuba enfrenta atualmente uma grave crise econômica, marcada por escassez de produtos e apagões, exacerbada pelo embargo e bloqueio de petróleo impostos pelos EUA. O vice-presidente americano JD Vance comentou que, se Cuba tomar decisões inteligentes, a relação entre os países poderá melhorar.