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Estudo brasileiro investiga uso de jaca e romã no tratamento da periodontite

Pesquisadores da PUC-SP desenvolvem biomaterial com látex de jaca e extrato de romã, que pode oferecer novas alternativas para tratar periodontite, doença gengival grave.
Foto: Metropoles

Cientistas da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Sorocaba, estão investigando um novo biomaterial que combina látex de jaca, extrato de casca de romã e sinvastatina, um medicamento conhecido por reduzir o colesterol. O estudo, publicado em 9 de março de 2026 na revista Polymer Bulletin, sugere que essa combinação pode abrir novas possibilidades para o tratamento da periodontite, uma forma grave de doença gengival.

A periodontite é uma doença inflamatória crônica que, se não tratada, pode levar à destruição das estruturas que sustentam os dentes, resultando em perda óssea e comprometimento da ligação entre os dentes e os tecidos ao redor. Embora os tratamentos atuais consigam controlar a infecção e a inflamação, eles apresentam limitações na regeneração dos tecidos perdidos.

Os pesquisadores optaram pelo látex de jaca devido às suas propriedades adesivas, que permitem que o material permaneça por mais tempo na área afetada, facilitando a liberação local de substâncias terapêuticas. O extrato de casca de romã foi adicionado por seu potencial antimicrobiano, enquanto a sinvastatina é estudada por seus efeitos anti-inflamatórios e por estimular a formação óssea.

No estudo, a sinvastatina foi incorporada ao gel em três concentrações: 0,3%, 0,6% e 1,2%. Os pesquisadores afirmam que essas formulações não alteraram a estrutura do gel e foram consideradas seguras em testes laboratoriais.

Análises físico-químicas e biológicas foram realizadas para avaliar a eficácia do biomaterial. Testes in vitro com células-tronco humanas derivadas de tecido adiposo mostraram que o material promoveu a liberação sustentada do medicamento e aumentou a osteoindução, um processo que estimula a formação óssea. Os resultados foram mais evidentes após 21 dias de diferenciação celular.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam que o estudo ainda está em fase inicial e que o biomaterial não foi testado em pacientes. Portanto, não há comprovação de que o consumo de jaca possa tratar ou reverter doenças gengivais. A equipe enfatiza que a tecnologia precisa passar por novas etapas de pesquisa para avaliar sua eficácia e segurança de forma mais abrangente.

Este estudo representa uma possibilidade de utilizar componentes naturais em combinação com medicamentos já conhecidos para desenvolver um sistema de liberação local de substâncias que possa combater a inflamação, a infecção e a perda óssea associadas à periodontite.

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