O Tribunal do Júri da comarca de São Bento do Sul, em Santa Catarina, iniciou nesta quinta-feira (18) o julgamento de Soeni Cardoso Borges, de 54 anos, conhecida na cidade por atuar como "Mamãe Noel
em ações beneficentes. Ela é acusada de assassinar seu marido, Carlos Emir Meier, de 48 anos, que também participava dos eventos natalinos vestido de
Papai Noel".
Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu em dezembro de 2020, apenas cinco dias antes do Natal, durante uma discussão entre o casal em sua residência. O desentendimento teria se originado de um vazamento em uma máquina de lavar roupas, e, durante a briga, Soeni teria desferido um golpe de faca no tórax da vítima, atingindo uma área próxima ao coração e causando uma hemorragia interna que resultou em sua morte.
A defesa de Soeni argumenta que ela agiu em legítima defesa, alegando que era vítima de violência doméstica e reagiu a mais um episódio de agressão. Os advogados apresentaram um laudo pericial que indicava escoriações e hematomas no braço da acusada, supostamente causados por um puxão do marido momentos antes do ataque.
Além disso, a defesa trouxe à tona um boletim de ocorrência de 2015, que já registrava relatos de agressões por parte de Carlos Emir contra Soeni. O caso gerou grande repercussão na região, em parte devido à popularidade do casal em projetos sociais voltados para crianças.
Após o crime, Soeni se apresentou à polícia e respondeu ao processo em liberdade. O Ministério Público pede a condenação por homicídio qualificado, enquanto a defesa busca a absolvição com base na tese de legítima defesa. A decisão final caberá ao Conselho de Sentença, que determinará se a ré será condenada ou absolvida.
O julgamento marca um dos casos criminais mais notórios da região nos últimos anos, cercado por versões divergentes sobre os eventos que culminaram na morte de Carlos Emir.