O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou sua desaprovação em relação a uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, em entrevista coletiva durante a reunião do G7 na França, afirmou que a situação política do Brasil se tornara "perigosa".
Durigan, em entrevista ao portal Metrópoles, afirmou que a fala de Trump "não cabe" e ressaltou que a prioridade do Brasil é garantir a estabilidade institucional e a realização de eleições livres. O ministro fez referência à condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que ocorreu no mesmo dia em que Trump fez suas declarações.
O presidente americano pareceu confundir Eduardo com o senador Flávio Bolsonaro, mencionando que um filho do ex-presidente Jair Bolsonaro estava "indo bem nas pesquisas".
Durigan também comentou que o ano de 2022 foi marcante para o Brasil, especialmente devido ao não reconhecimento do resultado das eleições, nas quais Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Jair Bolsonaro por uma margem estreita no segundo turno. O ministro enfatizou a necessidade de garantir que as eleições deste ano sejam realizadas de forma livre, sem interferências.
Precisamos ter eleições livres no País, onde as pessoas possam votar sem que a Polícia Rodoviária Federal bloqueie os ônibus de quem está se deslocando — afirmou Durigan.
Além disso, o ministro mencionou que há um "interesse econômico" dos Estados Unidos em impor tarifas ao Brasil, assim como um interesse político em favorecer a família Bolsonaro. Ele destacou que o governo brasileiro buscará todos os canais de negociação, mas sem abrir mão de pontos essenciais, como a manutenção do sistema de pagamentos Pix.
O Pix não pode estar em discussão em uma mesa de negociação, porque não vamos abrir mão do Pix para adotar uma ferramenta recomendada pelo governo ou pelas empresas norte-americanas. Isso está fora de questão — concluiu Durigan.