O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, fez duras críticas aos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) durante uma reunião em Bruxelas, na quinta-feira, 18 de junho de 2026. Ele anunciou uma revisão de seis meses das forças americanas na Europa, que dependerá da rapidez com que os países europeus assumirem a responsabilidade por sua própria segurança.
Hegseth afirmou que a revisão visa garantir que a Otan avance em direção à liderança europeia na defesa do continente. Ele destacou que os aliados europeus não têm fornecido acesso adequado às bases militares para operações contra o Irã, o que classificou como "vergonhoso".
Esses aliados colocam os filhos e filhas da América, nossos filhos e filhas, em risco ao negar o acesso previsível, a base e o sobrevoo que nunca deveriam ter sido questionados — disse Hegseth.
Durante a reunião, o secretário defendeu uma reformulação da Otan, propondo uma "Otan 3.0" que seria capaz de deter ameaças e assumir a liderança na defesa convencional da Europa. Essa proposta surge em um contexto em que os Estados Unidos sinalizaram que não fornecerão mais certos navios de guerra e aeronaves em caso de ataque a um aliado.
Hegseth também anunciou que os Estados Unidos planejam investir US$ 1,5 trilhão em sua defesa até 2027, com o objetivo de construir um "arsenal da liberdade" que proteja os interesses americanos e sustente a força da Otan.
Ele enfatizou que os aliados europeus precisam estar dispostos a agir de forma decisiva em relação à defesa do continente. O comandante supremo aliado da Otan está desenvolvendo planos de contingência para a defesa da Europa, considerando a redução do apoio militar dos EUA.
O Artigo 5 do tratado da Otan estabelece que um ataque contra um aliado é considerado um ataque contra todos, mas não obriga os países a fornecer apoio militar, embora muitos provavelmente o fariam. A administração dos EUA está ajustando sua estratégia militar, priorizando a capacidade de enfrentar dois conflitos simultâneos, especialmente em relação à China.