A invasão da Ucrânia pela Rússia gerou um aumento significativo na construção de bunkers particulares na Alemanha. Muitas famílias estão investindo em abrigos subterrâneos como forma de proteção em situações de conflito ou emergências.
Um exemplo é o de Christian, um ex-militar da Baviera, que decidiu incluir um bunker em sua nova casa. Ele investiu cerca de 45 mil euros, aproximadamente R$ 270 mil, na construção do abrigo, que foi projetado para permitir que sua família permaneça no local por um longo período em caso de necessidade.
O bunker de Christian é equipado com camas, cozinha, banheiro, mesa de jantar e suprimentos de emergência. Além disso, ele possui equipamentos para situações extremas, como máscaras de gás e colete à prova de balas. Inicialmente, a ideia gerou desconfiança em sua esposa, mas a mudança no cenário internacional a fez reconsiderar.
A demanda por bunkers não se limita ao caso de Christian. Empresas especializadas no setor relataram um aumento expressivo nas vendas desde o início do conflito. Um diretor de uma das principais fabricantes afirmou que, antes da guerra, a empresa vendia entre 50 e 70 bunkers por ano, número que agora chega a cerca de 200 unidades anuais.
Os modelos disponíveis variam desde estruturas familiares até opções mais sofisticadas, como o "Safe Office", um bunker-escritório que permite o trabalho em cenários extremos. Este modelo pode custar cerca de R$ 800 mil.
Os fabricantes defendem que não estão lucrando com o medo da população, mas sim oferecendo uma opção de segurança, semelhante a outros investimentos em proteção.
O aumento na procura por abrigos privados ocorre em um contexto em que o governo alemão também discute a necessidade de reforçar a proteção civil. Atualmente, o país possui 579 abrigos públicos, com capacidade para cerca de 480 mil pessoas, o que representa menos de 1% da população, e nenhum deles está operacional.
Diante da crescente insegurança na Europa, o governo está considerando reativar parte dessa infraestrutura e aumentar os investimentos em defesa, com a meta de recrutar 80 mil novos soldados até 2035.