O desembargador afastado Dirceu dos Santos, um dos alvos da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal nesta segunda-feira (8/6), está sob investigação devido a movimentações patrimoniais que totalizam aproximadamente R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia identificado esses valores como incompatíveis com os rendimentos formalmente declarados pelo magistrado durante o mesmo período.
A nova investigação da Polícia Federal busca apurar um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro, com ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Além de Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) também é um dos investigados. A operação incluiu mandados de busca e apreensão, além de determinações judiciais para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação visa esclarecer a existência de uma estrutura voltada à comercialização de decisões judiciais e à ocultação de recursos obtidos de forma ilícita. Os investigados poderão ser responsabilizados por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
Dirceu dos Santos está afastado de suas funções desde março deste ano, quando o CNJ iniciou apurações sobre suspeitas de nepotismo cruzado e possível recebimento de vantagens indevidas em troca de decisões judiciais. A situação do desembargador será discutida novamente pelo CNJ nesta terça-feira (9/6), quando os conselheiros avaliarão a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e decidirão sobre a manutenção do afastamento cautelar.
Em nota, a Polícia Federal informou que a Operação Gemini tem como objetivo aprofundar as investigações sobre a possível negociação de decisões judiciais e rastrear o fluxo financeiro relacionado aos fatos apurados. Até o fechamento desta reportagem, as defesas dos investigados não haviam se manifestado.
Fonte: Metropoles