O deputado estadual Faissal Calil, do PL, se pronunciou nesta segunda-feira (8/6) após ser alvo da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A operação investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro, com conexões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Em uma entrevista realizada em frente à sua residência em Cuiabá, Calil afirmou que recebeu os agentes da PF sem resistência e entregou voluntariamente seu celular e os acessos solicitados durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão.
Estou absolutamente tranquilo. Entreguei tudo o que foi pedido. Meu celular, minhas senhas, meu iCloud. Não tenho nada a esconder. Quem não deve não teme — declarou.
A investigação aponta que o deputado é suspeito de ter vínculos com o desembargador afastado Dirceu dos Santos, que também é alvo da operação. A PF investiga se pessoas próximas ao magistrado participaram de movimentações financeiras e negociações patrimoniais que poderiam ocultar recursos de origem supostamente criminosa. Calil, no entanto, negou qualquer relação financeira com Dirceu dos Santos, afirmando que não mantém contato com ele desde que assumiu o cargo de deputado.
Desde que saí do Tribunal de Justiça e assumi o mandato de deputado, nunca mais tive qualquer relação com ele. Não existe transação financeira, negócio ou qualquer tipo de vínculo econômico — disse o parlamentar.
A Operação Gemini é um desdobramento de investigações que visam apurar suspeitas de corrupção e comercialização de decisões judiciais em Mato Grosso. Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Entre os principais alvos da operação está o desembargador Dirceu dos Santos, que foi afastado do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em março deste ano, a Corregedoria Nacional identificou indícios de que o desembargador teria recebido vantagens indevidas em troca de decisões judiciais. O CNJ também apontou movimentações patrimoniais superiores a R$ 14,6 milhões em cinco anos, valores considerados incompatíveis com os rendimentos oficialmente declarados pelo magistrado.
Apesar das suspeitas, Faissal Calil afirmou que está disposto a colaborar com as autoridades e expressou seu interesse no esclarecimento dos fatos.
Pode investigar o que quiser. Quero que tudo seja esclarecido o mais rápido possível — concluiu.
Fonte: Metropoles