O Ministério Público Federal (MPF) denunciou que fazendeiros estão utilizando agrotóxicos para expulsar os indígenas da aldeia Aperoí, pertencente à etnia puruborá, localizada em uma área de conflito fundiário em Rondônia. Os produtores rurais têm aplicado substâncias tóxicas, como fosfeto de alumínio, metoni e uma combinação de bifentrina e acetamiprido, que são prejudiciais à saúde humana.
A comunidade indígena, composta por cerca de 40 pessoas, tem enfrentado sérios problemas de saúde, com adultos e crianças apresentando lesões e feridas no corpo, associadas à intoxicação. A cacica Hosana Purubora relatou que a aldeia sofre ameaças constantes dos fazendeiros, que despejam agrotóxicos sobre as moradias como forma de intimidação.
Eles, antes, passaram de avião. Agora, depois de a gente fazer várias denúncias, eles passam de drone — afirmou.
Hosana destacou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) reconheceu oficialmente a etnia puruborá em 2002, mas a demarcação do território ainda não foi concluída. Ela expressou preocupação com a saúde da comunidade, afirmando que a exposição aos agrotóxicos tem causado náuseas e dores de cabeça.
Além do uso de agrotóxicos, os fazendeiros teriam queimado uma maloca sagrada para os indígenas e provocado incêndios florestais na região. O MPF tentou uma solução extrajudicial antes de acionar a Justiça Federal, mas os produtores continuaram a despejar agrotóxicos.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou em seu relatório de 2022 o aumento da tensão na região, destacando que a falta de demarcação oficial do território agrava a vulnerabilidade dos indígenas. O MPF está movendo uma ação civil pública para pressionar a Funai a concluir a demarcação das terras.