A Parada LGBT+ de São Paulo, um dos principais eventos do calendário cultural da cidade, ocorreu em um clima de celebração e protesto, destacando a distância da direita em relação à comunidade. O evento, que atraiu milhares de participantes, foi marcado por discursos que enfatizaram a luta por direitos e a necessidade de inclusão.
Hilton, uma das vozes proeminentes do evento, destacou a importância da presença da comunidade nas ruas, afirmando que
a maior vitória da classe trabalhadora brasileira está nas mãos de uma travesti preta
. Ele também cobrou a votação de uma proposta na Câmara dos Deputados, que visa o fim da escala 6×1, gerando reações do público, que gritou "Fora, Alcolumbre", em referência ao presidente do Senado.
O contraste entre a Parada e a Marcha para Jesus, realizada três dias antes, foi evidente. Na marcha religiosa, estiveram presentes figuras como o senador Flávio Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes, que, assim como o governador Tarcísio de Freitas, não compareceram à Parada. A assessoria de Nunes justificou sua ausência, informando que ele estava inaugurando um parque na zona leste.
Matheus Emílio, diretor da Parada, lamentou a falta de representantes do governo no evento, ressaltando que a festa é um espaço aberto a todos, independentemente de ideologias. Ele afirmou que a ausência de políticos na Parada reflete a marginalização da comunidade LGBT+, que ainda enfrenta desafios para ter suas pautas reconhecidas.
A presença de políticos de direita na Parada não foi uma constante ao longo dos anos. Anteriormente, figuras como Bruno Covas e Geraldo Alckmin participaram do evento, mas a ascensão do bolsonarismo trouxe uma nova dinâmica, segundo Emílio, que criticou a tentativa de silenciar as vozes da comunidade.
Durante a Parada, o vereador Lucas Pavanato causou polêmica ao fazer provocações aos presentes, defendendo um projeto que visa restringir a realização do evento. A deputada federal Sâmia Bomfim criticou a postura de certos partidos, afirmando que eles não se importam com os direitos da comunidade LGBT+.
O orçamento da Parada também foi um tema sensível este ano, com uma redução nos patrocínios que resultou em uma festa menos opulenta, com menos trios elétricos. O policial militar Alexandre Dias expressou preocupação com a ausência de políticos na Parada e a forte presença deles na Marcha para Jesus, alertando sobre a influência da religião na política.