A recente postagem da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, mostrando o presidente malhando às 6h da manhã, ilustra a rotina do octogenário. Contudo, a questão etária é apenas uma parte dos desafios enfrentados por Luiz Inácio Lula da Silva, que, com uma longa trajetória política, enfrenta o fenômeno da fadiga eleitoral, segundo especialistas.
Lula é o terceiro governante que mais tempo permaneceu no poder no Brasil, completando 12 anos na presidência até o final de 2026, um tempo equivalente a três mandatos. Historicamente, ele só é superado por Dom Pedro II e Getúlio Vargas. Desde os anos 1980, Lula participou de sete das nove eleições presidenciais após a redemocratização, exceto em 2010 e 2014, quando apoiou Dilma Rousseff, e em 2018, quando sua candidatura foi barrada pelo TSE devido à sua prisão.
Em 2025, Lula se tornará o primeiro octogenário a ocupar a presidência. O Partido dos Trabalhadores (PT) governou o Brasil por 17 anos neste século. Paulo Loiola, consultor de marketing eleitoral, observa que, embora o tempo não seja o único fator de desgaste, crises como o mensalão e a Lava Jato, além da oposição bem estruturada, contribuem para a fadiga.
Loiola também aponta que a esquerda enfrenta dificuldades em se comunicar digitalmente, apesar de propostas bem recebidas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Lucas Pimenta, outro consultor de comunicação eleitoral, destaca que a fadiga de Lula está relacionada a uma desconexão com o novo trabalhador brasileiro, que busca mais do que medidas populistas.
Uma pesquisa do Datafolha revela que 38% dos entrevistados avaliam o governo Lula negativamente, enquanto 32% o veem positivamente. Embora seja considerado o mais experiente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é visto como mais moderno e inovador. Neste ano eleitoral, Lula anunciou um pacote de medidas, incluindo programas de renegociação de dívidas e ampliação da oferta de serviços essenciais.
Entretanto, Pimenta ressalta que Lula não tem respondido adequadamente às demandas por autonomia e empreendedorismo, refletindo uma falta de novidades em seu discurso. O desgaste da imagem do presidente também é acentuado por gafes que afetam sua relação com o público feminino, a maior parcela do eleitorado.
Leonardo Belinelli, professor de ciência política da UFRRJ, observa que a longevidade política de Lula se assemelha à de Vargas, mas ressalta que a repetição de discursos pode se tornar uma armadilha. Ele argumenta que a mudança nas dinâmicas de trabalho e consumo exige uma adaptação por parte dos líderes políticos.
Belinelli também aponta que a fadiga eleitoral é um fenômeno que se observa em toda a América Latina, onde políticos populistas enfrentam dificuldades para se reeleger. Em outubro, Lula enfrentará nas urnas um candidato significativamente mais jovem, mas a estratégia de ataque à idade do presidente pode não ser eficaz.