A realização de um exame de sanidade mental em uma mulher de 37 anos, que foi presa após se passar por uma adolescente de 12 anos em Joinville, Santa Catarina, pode trazer mudanças significativas nas investigações. O advogado Rafael Luiz Siewert, designado para defender Amanda Maria Souza da Oliveira, informou que o pedido para o exame foi feito após uma análise detalhada do processo e uma entrevista com a cliente, sendo aceito pela Justiça.
Esse exame que vai nos nortear posteriormente em saber como é que vão ser os próximos passos do processo, porque, dependendo do resultado, a situação poderá ser modificada e, eventualmente, os outros processos que ela tenha também — afirmou Siewert.
Amanda permanece presa preventivamente, após a Justiça converter sua prisão em flagrante. Ela está à disposição do Judiciário para a realização do exame pericial já autorizado.
O caso ganhou notoriedade após Amanda ser detida na terça-feira, 2 de junho, quando investigações da Polícia Civil revelaram que ela havia assumido uma identidade falsa. Apresentando-se como "Gabriele", a mulher alegou ter fugido do Pará devido a maus-tratos e violência sexual, o que sensibilizou membros de uma igreja local que passaram a ajudá-la.
Com o tempo, uma família da comunidade religiosa acolheu Amanda em sua casa, onde ela viveu por cerca de 14 meses, sendo tratada como filha. A família chegou a organizar uma festa de aniversário para comemorar os supostos 12 anos da jovem e manifestou interesse em formalizar sua adoção.
Para sustentar sua falsa identidade, Amanda alegava ser autista e apresentava outras condições de saúde. Ela justificava sua aparência adulta afirmando que traumas na infância afetaram seu desenvolvimento físico. Além disso, a mulher reproduzia comportamentos infantilizados, utilizando mamadeiras e chupetas, e simulava crises emocionais.
A fraude foi descoberta após uma denúncia de um familiar da família que a acolhia. Durante as investigações, a Polícia Civil confirmou que a suposta adolescente era, na verdade, uma mulher de 37 anos. Em depoimento, Amanda admitiu ter utilizado uma identidade falsa e foi indiciada pelos crimes de falsa identidade e estelionato.
As autoridades continuam a investigar possíveis vítimas em outros estados e estão rastreando contas bancárias que receberam transferências via Pix destinadas a Amanda antes de ela se mudar para a casa da família.
Fonte: Metropoles