Dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba foram presos por participação em uma organização criminosa que desviava drogas da corporação após operações e revendia ilegalmente. Durante esse esquema, os agentes tentaram ficar com parte do dinheiro de uma venda de drogas que seria destinada ao delegado Braz Morroni, que também foi preso após autorização da Justiça.
As prisões ocorreram na terça-feira (2) e fazem parte da Operação Perfidus, que resultou na detenção de nove pessoas, incluindo policiais e membros de uma facção criminosa. O relato sobre as tentativas de desvio de dinheiro está detalhado na decisão judicial que autorizou as prisões e os mandados de busca e apreensão.
De acordo com o documento, um dos agentes, Everton Aires, teria reclamado de cobranças de drogas feitas pelo delegado e planejado omitir uma venda de R$ 18 mil. O outro agente, Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como "Mão Branca", também estava envolvido no esquema. A Justiça afirma que a intenção era reter a cota do delegado e reinvestir no tráfico.
A investigação revelou que Braz Morroni recebia repasses de dinheiro provenientes das vendas realizadas pelos investigadores e utilizava sua posição para oferecer proteção ao grupo. A defesa do delegado argumenta que as acusações se baseiam em conversas indiretas e que não há evidências diretas de seu envolvimento.
A defesa dos agentes também negou as acusações e afirmou que confiam na apuração dos fatos. As prisões são temporárias e visam subsidiar as investigações.
Além disso, a defesa de Braz Morroni solicitou a conversão de sua prisão temporária para domiciliar, alegando problemas de saúde, mas o pedido foi negado pela juíza responsável, que destacou a falta de laudos médicos atualizados.
A Operação Perfidus investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.
Os outros presos na operação incluem João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, José Alexandrino de Lira Júnior, Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva. As defesas dos demais suspeitos não foram localizadas.
Braz Morroni, que atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio em João Pessoa, possui mais de 20 anos de carreira e já trabalhou em outras delegacias, incluindo a de Repressão a Entorpecentes. A operação recebeu o nome de Perfídia, que significa "traição" ou "deslealdade", em referência à conduta dos investigados.