Medicamentos como Ozempic e Wegovy são conhecidos por sua capacidade de reduzir o apetite e promover a perda de peso. No entanto, muitos usuários relatam que, após um período, o emagrecimento desacelera ou até para. Um estudo recente dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) busca entender os processos que ocorrem no cérebro durante esse fenômeno.
Publicada na revista Nature Metabolism, a pesquisa foi realizada com camundongos e analisou como os agonistas de GLP-1, como a semaglutida, atuam nos neurônios que controlam a fome. Os resultados indicam que as células cerebrais reagem de maneiras diferentes ao tratamento, o que pode explicar a variação dos efeitos entre os indivíduos e a diminuição da eficácia ao longo do tempo.
Os cientistas já sabiam que esses medicamentos influenciam áreas do cérebro relacionadas ao apetite, mas a compreensão dos mecanismos internos das células afetadas ainda era limitada. Andrew Lutas, pesquisador do NIH, destaca:
Sabemos muito menos sobre os detalhes do que acontece dentro dos neurônios que esses medicamentos visam.
Para aprofundar a investigação, os pesquisadores monitoraram a atividade de células cerebrais expostas à semaglutida em tempo real. Eles identificaram alterações em uma molécula chamada AMPc, que é crucial para a comunicação entre neurônios. O aumento dessa molécula na área postrema, uma região do cérebro ligada ao controle do apetite, parece ser essencial para a perda de peso. Contudo, as respostas variaram entre os neurônios, com algumas células mantendo sinais ativos por mais tempo, enquanto outras apresentaram apenas respostas temporárias.
Os cientistas sugerem que a diminuição da eficácia do medicamento pode ocorrer porque algumas células reduzem sua sensibilidade ao longo do tempo. Isso pode ser resultado da internalização ou degradação dos receptores utilizados pela semaglutida. Assim, certas células podem deixar de responder de forma intensa ao remédio, o que ajuda a explicar o efeito platô no emagrecimento após alguns meses.
Além disso, os pesquisadores testaram o uso de outro medicamento, o roflumilast, que conseguiu prolongar a resposta cerebral em um maior número de neurônios. No entanto, os autores ressaltam que ainda é prematuro afirmar se essa abordagem pode ser aplicada em pacientes.
Uma limitação do estudo é que a atividade cerebral foi monitorada apenas por algumas horas. A equipe agora planeja investigar o que ocorre ao longo de dias ou semanas de uso contínuo dos medicamentos. Compreender esses mecanismos pode ser fundamental para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e duradouros contra a obesidade no futuro.