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Papa Leão XIV alerta sobre IA e ética em conflitos armados

Papa Leão XIV comemora ano de pontificado com mensagem a líderes mundiais O papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica nesta segunda-feira (25). O documento aborda a ascensão da inteligência artificial e os desafio.....

Papa Leão XIV comemora ano de pontificado com mensagem a líderes mundiais

O papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica nesta segunda-feira (25). O documento aborda a ascensão da inteligência artificial e os desafios aos direitos dos trabalhadores – e pode virar um novo ponto de atrito entre o pontífice e o presidente dos EUA, Donald Trump.

➡️ Contexto: Encíclicas são documentos papais dirigidos a bispos de todo mundo (e, como resultado, aos fiéis) informando a posição da Igreja Católica sobre determinados assuntos.

Confira abaixo alguns trechos da encíclica, intitulada "Magnifica Humanitas" (Magnífica Humanidade), de quase 43 mil palavras, em que o Leão XIII pede a regulamentação internacional para desacelerar o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial, que, segundo ele, disseminam desinformação e podem levar o mundo a um caminho de guerras intermináveis.

O Papa Leão XIV fala com jornalistas a bordo do voo papal de Malabo para Roma, em 23 de abril de 2026, após visita pastoral de 11 dias à África

Andrew Medichini/Pool via Reuters

Sobre sistemas de IA

Os principais motores do desenvolvimento são entidades privadas, muitas vezes transnacionais, dotadas de recursos e capacidade de intervenção que superam os de muitos governos. O poder tecnológico assume, assim, um aspecto sem precedentes, predominantemente 'privado', o que torna ainda mais difícil discernir, governar e direcionar esse poder para o bem comum.

Quando esse poder se concentra nas mãos de poucos, tende a tornar-se opaco e a escapar à supervisão pública, aumentando o risco de formas distorcidas de desenvolvimento que dão origem a novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades.

Apelar à prudência, à avaliação rigorosa e até mesmo, por vezes, a um ritmo mais lento na adoção da IA não significa opor-se ao progresso; pelo contrário, é um exercício de cuidado responsável para com a família humana.

Não basta invocar a ética no abstrato; são necessários marcos legais robustos, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não se esquive de sua responsabilidade.

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É essencial que o uso da IA, especialmente quando se trata de bens públicos e direitos fundamentais, seja guiado por critérios claros e supervisão eficaz. … A propriedade dos dados não pode ser deixada exclusivamente em mãos privadas, mas deve ser devidamente regulamentada.

IA nas guerras

A revolução digital está mudando a natureza dos conflitos. Além da guerra convencional, existem formas híbridas como ciberataques, manipulação de informações, campanhas de influência e a automatização de decisões estratégicas.

O que é criado para a defesa pode ser rapidamente reaproveitado para o ataque, e a tênue linha entre proteção e agressão torna-se confusa. Embora a IA possa aprimorar a defesa e a proteção de civis, ela também pode diminuir o limiar para o uso da força, proteger as pessoas da responsabilidade e fomentar uma cultura na qual o inimigo é reduzido a uma estatística e a vítima a 'dano colateral'.

Em nossa época, uma cultura de poder está se consolidando, na qual a disponibilidade de recursos e a capacidade de dominar tendem a ditar a agenda e os critérios para a tomada de decisões. … Essa cultura de poder se infiltra na sociedade, altera relacionamentos e comportamentos e cresce normalizando a guerra, buscando um poder militar cada vez maior, aproveitando-se da crise do multilateralismo e alimentando um falso realismo que insiste que não há alternativa.

Hoje… estamos testemunhando uma verdadeira mudança de paradigma no discurso público e nas decisões relativas ao rearme, com um preocupante ressurgimento da guerra como instrumento da política internacional, enquanto os próprios princípios éticos que antes limitavam seu uso estão sendo corroídos.

O crescimento do complexo militar-industrial tornou-se uma característica definidora do atual cenário político. … A estreita ligação entre os interesses econômicos, o aparato militar e as decisões políticas produz uma 'nação armada', na qual a guerra surge como uma extensão natural da política e o mercado de armamentos se torna uma força motriz autônoma por trás das decisões militares.

O desenvolvimento e a utilização da IA na guerra devem estar sujeitos às mais rigorosas restrições éticas… não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais.

Desinformação, educação e direitos dos trabalhadores

A democracia não consiste apenas em regras e procedimentos, mas sobretudo numa sólida concordância com os fatos e num compromisso genuíno com o bem dos indivíduos e da sociedade como um todo. A indiferença à verdade leva, lenta mas seguramente, a uma descida ao totalitarismo.

É difícil para os pais, por si só, resistirem à influência de modelos de negócios que monetizam a atenção e o tempo. Portanto, é essencial formar uma aliança entre formuladores de políticas, instituições educacionais e famílias, capaz de apoiar concretamente os adultos nessa tarefa.

A convergência da automação, da robótica e da IA está transformando rapidamente a própria estrutura do trabalho. Diz-se que isso trará grandes melhorias para todos. Na realidade, porém, as 'novas formas' de trabalhar não são necessariamente melhores.

A proteção das oportunidades de emprego e o papel insubstituível do indivíduo devem permanecer a regra geral. A busca por maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrifiquem sistematicamente empregos.

Mais do que nunca, na era da IA e da robótica, não é mais possível confiar apenas na 'mão invisível' do mercado. … Como muitas decisões econômicas transcendem as fronteiras nacionais, há também necessidade de cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, especialmente em favor dos países e pessoas mais vulneráveis.

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