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Desafios da Renovação Política na Assembleia Legislativa da Paraíba

A renovação política em uma Assembleia Legislativa é um movimento que ocorre a cada eleição e representa a substituição dos deputados estaduais por novos nomes, resultando na entrada de parlamentares. Estes deputados.....
Foto: Polêmica Paraíba

A renovação política em uma Assembleia Legislativa é um movimento que ocorre a cada eleição e representa a substituição dos deputados estaduais por novos nomes, resultando na entrada de parlamentares. Estes deputados podem ser políticos que tinham mandatos no ano anterior ou aqueles sem histórico anterior de mandatos que ao serem eleitos podem elaborar novos projetos, fortalecer a representatividade ( mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, etc) e combater lideranças tradicionais que ocupam aquele espaço há muitos anos.

Na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), os deputados estaduais que devem sair, permanecer ou os nomes que podem surgir na disputa por vagas são algumas das dúvidas deste cenário pré-eleitoral de 2026. Ao todo, a Casa possui 36 parlamentares e atualmente os seguintes partidos ocupam cadeiras : Republicanos (REP), Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Verde(PV), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Liberal (PL), Progressistas (PP), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e União Brasil (UNIÃO). Após o fechamento da janela partidária, as maiores bancadas da ALPB são compostas pelo Republicanos (10 deputados) e Progressistas (9 deputados), o que influencia a aprovação de projetos e toda a rotina da Casa de Epitácio Pessoa.

De acordo com o professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e pesquisador das áreas de Democracia, Gestão e Políticas Públicas, Darcon Sousa, historicamente, a mudança dos ocupantes das cadeiras na Casa de Epitácio Pessoa afeta menos da metade do corpo legislativo. Isso significa que quem está no mandato tem mais recursos econômicos – estrutura de apoio, emendas, assessores, etc – e capital linguístico, porque possui espaços de voz para se comunicar com a população em diferentes veículos.

Segundo uma pesquisa que fizemos em 2018 na região do Brejo paraibano, região tomada como amostra, o fator mais importante para a reeleição de deputados são os vínculos que eles estabelecem com lideranças locais. Prefeitos, ex-prefeitos, Presidentes de Câmaras de vereadores ou mesmo um líder local com poder para captar votos. Os candidatos distribuem recursos para esses cabos eleitorais e/ou reforçam suas presenças com emendas e obras — declarou.

Esse cenário é visível em números: nas eleições de 2018, a renovação das composições da Assembleia Legislativa do Estado foi de 41% e, em 2022, aproximadamente 38%. Para os que almejam entrar na disputa em 2026 e ainda não têm mandato, a competição é desigual, segundo o professor. Por essa razão, os processos de renovação não alcançam a maioria do Poder Legislativo.

Interesses difusos alimentam uma rede em forma de pirâmide, na qual parlamentares mapeiam suas áreas de influência e disputam o voto em condições muito mais vantajosas, independentemente de uma avaliação popular sobre seus desempenhos

, analisa.

Neste período que antecede as eleições, o professor percebe que as movimentações dentro dos partidos já seguem a lógica de sempre: candidatos procuram acomodar-se nas legendas que oferecem maiores possibilidades de reeleição. Portanto, são articulações menos focadas na renovação e mais direcionadas a manutenção dos mesmos parlamentares na ALPB, o que indica a continuidade da maioria para o Progressistas e o Republicanos.

O tabuleiro depois das trocas de partidos indica, sim, que Progressistas e Republicanos terão hegemonia. Juntos, elegeram um terço dos deputados estaduais na última eleição e devem ampliar suas participações a partir de 2027 — pontuou Darcon Sousa.

Comportamento eleitoral

Se entre os parlamentares, o ciclo de renovação na Paraíba enfrenta dificuldades, o eleitor médio, desvinculado de relações econômicas ou partidárias, almeja mudança e renovação. Ou seja, ele deseja “novidades” e não apenas nomes conhecidos na Assembleia Legislativa. No entanto, conforme o pesquisador, ele não dispõe de todas as condições de informação para tomar decisões nessa direção. Em parte, isso se deve à forma como o debate político ocorre, quase sempre reforçando a voz dos políticos com mandato, sem contrapontos que possam vir da sociedade civil, capaz de revelar novas lideranças.

O cerco partidário inibe a entrada de novos atores. Por outro lado, envolto em suas rotinas de sobrevivência e pressionado por ela, o cidadão comum tem pouco tempo livre para avaliar a atuação política dos deputados, mesmo aqueles em quem ele votou

, explica.

Além desses fatores, Darcon Sousa ainda cita o fato de as campanhas para o legislativo estarem sempre ancoradas em práticas clientelistas e não em plataformas mais amplas que selecionem causas e programas para apresentá-las aos eleitores.

Redes Sociais e dinâmica das campanhas

Além do rádio, televisão, das atividades nas ruas e outros meios já utilizados nas campanhas políticas, as redes sociais exercem um papel central nas eleições. Elas estão ligadas a forma como os candidatos fazem campanha (até nos bastidores) e como os eleitores vão consumir informações para, em seguida, tomar suas decisões de voto. As redes sociais são capazes, inclusive, de reduzir o “peso” das estruturas tradicionais, criando até “novas exigências” para candidatos e partidos.

Sobre isso, o cientista político lembra que as redes sociais revolucionaram a comunicação política, não apenas reduzindo drasticamente a influência dos veículos tradicionais, mas, principalmente, alterando os conteúdos dessa comunicação.

As lacrações, os memes e o apelo aos afetos negativos compõem o aspecto degradante da comunicação nas redes sociais. Mas há espaço para o uso criativo e propositivo também

.

Porém, mesmo que os candidatos procurem incorporar novas linguagens adequadas às plataformas digitais,ainda seguem dependentes de recursos financeiros para colocar em prática estratégias digitais eficientes. Portanto, também neste caso a taxa de renovação está ligada à posse de recursos humanos e materiais mais disponíveis aos que possuem mandatos, o que apenas reforça bases políticas já conhecidas.

Novos nomes: algumas previsões

No cenário nacional, os possíveis novos nomes para as Assembleias Legislativas incluem vereadores, influenciadores que entraram para a política, lideranças de coletivos de juventude, integrantes dos movimentos estudantis, representantes de movimentos sociais, mulheres e pessoas negras buscando ampliar a representatividade, além de empresários ou policiais cogitados para disputar vagas. Na Paraíba, as articulações dos partidos já começaram e a expectativa é que novos perfis sejam lançados, incluindo lideranças jovens (para atrair essa parcela do eleitorado). No entanto, as legendas seguem apostando também nos deputados estaduais que há vários mandatos ocupam espaço na ALPB.

Entre os nomes cogitados e que estão sem mandato na ALPB no momento estão Tibério Limeira (PSB), Nilvan Ferreira (PL), Olívia Motta (Republicanos), Dinho Dowsley (MDB), Zé Aldemir (PP) e Vitor Hugo (MDB). Outros nomes que se destacam para a próxima disputa estadual é Geska Maia (PL), Nelinho Costa (PSB), Larúcia Sá (MDB) e Cilinha (PL).

Um dos partidos que divulgaram a nominata de pré-candidatos foi o Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Paraíba, legenda que conta com cerca de 20 nomes que devem compor a chapa proporcional no Estado cuja meta é eleger duas vagas na ALPB. No grupo de pré-candidatos estão: João Almeida, vereador de João Pessoa; Denise Ribeiro, ex-secretária de Desenvolvimento Social e primeira-dama de Sapé; Marinaldo Cardoso, ex-presidente da Câmara Municipal de Campina Grande; Júnior Leandro, ex-vereador e atual suplente de João Pessoa; Sávio Salvador, ex-secretário de Articulação Política de Patos; Dr. Luciano Alvino, médico, ex-secretário de Saúde de Santa Rita e Cláudio Lucena, ex-vereador e vice-prefeito de Cabedelo.

Segundo o cientista político, Darcon Sousa, outra legenda que busca inserir-se na próxima composição da ALPB é o Partido dos Trabalhadores (PT) que após a saída do deputado estadual e ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo – que se desfiliou do PT e filiou-se ao Republicanos em abril – deve agora redobrar os esforços para compensar essa perda na Assembleia.

Com relação aos parlamentares que ainda ocupam a ALPB, no dia 11 de maio, a pesquisa Seta/Polêmica (registrada no TSE com o número PB-04859/2026) mostrava que Chico Mendes (PSB), Júnior Araújo (PP) e Doutora Paula (PP) eram os deputados estaduais melhor avaliados em Cajazeiras, no sertão paraibano. Outro levantamento, desta vez do dia 31 de março (Pesquisa Estadual Seta/Polêmica nº PB-03980/2026) apresentava os 36 nomes que seriam eleitos na Assembleia Legislativa e quem liderava a pesquisa era o presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos), Wilson Filho e mais uma vez Chico Mendes (Republicanos).

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