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Estudo revela que maioria dos idosos com demência no Brasil não é diagnosticada

Um estudo indica que 80% dos idosos brasileiros com demência permanecem sem diagnóstico. Fatores sociais e educacionais influenciam essa realidade alarmante.
Foto: Metropoles

A demência entre os idosos no Brasil avança de maneira silenciosa, frequentemente sem ser identificada por profissionais de saúde. Uma pesquisa publicada na revista International Journal of Geriatric Psychiatry revela que 80% dos idosos com demência não têm um diagnóstico formal. Os dados foram coletados de 5.249 participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os resultados mostram que, entre os idosos com sintomas compatíveis com a doença, 83,1% não foram diagnosticados. O estudo aponta que essa situação é agravada por fatores sociais, econômicos e educacionais. O subdiagnóstico é mais prevalente entre aqueles com baixa escolaridade e que residem em áreas com piores indicadores socioeconômicos.

Entre os analfabetos, a taxa de não diagnóstico chega a 93,9%. Nas regiões menos favorecidas economicamente, 90,2% dos idosos estão sem diagnóstico, enquanto nas áreas mais desenvolvidas esse número é de 76%. Além disso, idosos que vivem sozinhos apresentam maior probabilidade de não ter a doença identificada, uma vez que a falta de familiares pode dificultar a percepção das mudanças cognitivas.

Os sinais iniciais da demência muitas vezes são confundidos com alterações normais do envelhecimento, o que atrasa a busca por atendimento médico. A demência é um termo que abrange um conjunto de sintomas que afetam a memória, raciocínio, linguagem e comportamento, comprometendo a capacidade de realizar atividades diárias. A doença de Alzheimer é a forma mais comum, mas existem outras variantes, como a demência vascular.

Sintomas que podem indicar demência

  • Esquecimentos frequentes
  • Repetição constante de perguntas
  • Dificuldade para lembrar compromissos
  • Confusão com datas e locais
  • Alterações de humor e comportamento
  • Problemas para encontrar palavras
  • Dificuldade para administrar tarefas simples
  • Perda de autonomia no dia a dia

Embora muitas formas de demência não tenham cura, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O estudo sugere que idosos que recebem acompanhamento médico regular para outras condições têm mais chances de serem diagnosticados, devido ao contato frequente com serviços de saúde.

Os pesquisadores recomendam o fortalecimento de políticas públicas para promover um envelhecimento saudável, além de aumentar o acesso a neurologistas, geriatras e exames especializados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para os autores, é essencial implementar estratégias de rastreamento precoce, capacitar profissionais da atenção básica e realizar campanhas de conscientização sobre os sinais da demência.

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