A recente acusação nos Estados Unidos contra Raúl Castro, ex-presidente de Cuba, pela derrubada de dois aviões da organização Brothers to the Rescue em 1996, reacende um dos episódios mais tensos entre os dois países. No dia 24 de fevereiro daquele ano, caças MiG cubanos derrubaram duas aeronaves civis, resultando na morte de quatro pessoas. Um terceiro avião, pilotado por José Basulto, conseguiu escapar.
Enquanto Washington afirma que o ataque ocorreu em águas internacionais, Havana defende que agiu em legítima defesa em suas águas territoriais. Trinta anos após o incidente, a Justiça americana acusa Castro, que era ministro da Defesa na época, de assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronaves, em meio à pressão da administração de Donald Trump sobre Cuba.
René González, ex-agente da inteligência cubana e um dos fundadores do Irmãos ao Resgate, compartilha sua versão dos fatos. Em entrevista, ele descreve a organização como conhecida por suas missões de resgate de cubanos em balsas, mas sugere que havia objetivos mais obscuros por trás dessa fachada humanitária.
González menciona que a radicalização da organização começou a se intensificar na metade da década de 1990, em um contexto de crise econômica em Cuba. Ele destaca que nem todos os membros compartilhavam as mesmas intenções, lembrando com pesar de dois integrantes que apenas desejavam ajudar os balseiros.
Sobre o dia da derrubada, ele recorda o choque que sentiu ao receber a notícia enquanto estava em Miami. Como espião, ele relata que os dias seguintes foram difíceis, com constante alerta e comunicação com Havana. Para ele, a derrubada foi politicamente instrumentalizada por setores radicais do exílio cubano.
González acredita que a acusação contra Raúl Castro é parte de uma estratégia mais ampla de Washington para aumentar a pressão sobre Cuba, refletindo a agressividade do governo Trump. Ele observa que alguns grupos do exílio anticastrista almejam uma confrontação direta entre os países, o que ele considera uma tragédia.