A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nova avaliação sobre o surto de ebola no Congo, classificando o risco de disseminação como alto dentro do país e nas nações vizinhas, enquanto globalmente o risco é considerado baixo. Essa análise surge em meio ao avanço do surto, que já mobiliza autoridades de saúde e equipes internacionais.
A OMS destacou que a maior preocupação está nas áreas locais e regionais, onde o vírus está circulando ativamente e as dificuldades para conter a transmissão são evidentes. Até o momento, não há indícios de que o vírus tenha se espalhado para outros continentes.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que foram confirmados 51 casos da doença nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, além de dois registros em Uganda. Há também centenas de casos suspeitos em investigação. Tedros enfatizou:
Sabemos que a dimensão da epidemia é muito maior. Esperamos que esses números continuem aumentando.
O surto atual envolve a variante Bundibugyo do vírus ebola, que é considerada mais rara e para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Autoridades locais relataram pelo menos 134 mortes suspeitas associadas à doença, levando a OMS a classificar a situação como uma emergência de saúde pública que requer uma resposta coordenada.
A resposta ao surto enfrenta desafios significativos, como o atraso na identificação do vírus, que circulou por semanas sem confirmação, dificultando as ações iniciais de contenção. Fatores como o deslocamento intenso de pessoas, áreas sob controle de grupos armados e uma crise humanitária em curso complicam ainda mais o acesso das equipes de saúde.
A primeira morte relacionada ao surto foi registrada em abril, mas a confirmação ocorreu semanas depois. O deslocamento do corpo para outra região, onde há grande circulação de pessoas, pode ter contribuído para a disseminação do vírus. As autoridades ainda estão tentando identificar o caso inicial da infecção.
O país aguarda o envio de uma vacina experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Essa estratégia deve ajudar a entender melhor o comportamento do vírus e a conter novos casos.