A China busca se afirmar como um ator central na diplomacia global, especialmente em um contexto de tensões na Ucrânia e no Irã. A visita do presidente russo, Vladimir Putin, a Pequim, é apresentada como um exemplo dessa nova posição de destaque do país no cenário internacional.
O jornal Global Times, vinculado ao governo chinês, enfatizou que sob a liderança de Xi Jinping, a China está se posicionando como um equilíbrio estratégico, recebendo tanto Putin quanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um curto espaço de tempo.
O encontro entre Xi e Putin, que celebra 25 anos do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa e 30 anos de relações estratégicas, abordou temas como energia, economia e defesa. Ambos os líderes divulgaram uma declaração conjunta defendendo a multipolaridade e novos modelos de relações internacionais.
Durante a cerimônia, Xi Jinping afirmou que China e Rússia se opõem a qualquer forma de intimidação unilateral. Putin, por sua vez, destacou o papel estabilizador que os dois países exercem nas relações internacionais.
Analistas apontam que a Rússia, enfraquecida por sanções ocidentais e pela guerra na Ucrânia, se torna cada vez mais dependente da aliança com a China. Embora Putin chegue em uma posição relativamente mais forte devido à crescente demanda chinesa por petróleo russo, a Rússia ainda depende significativamente da China para a aquisição de bens manufaturados.
Um dos principais tópicos discutidos foi o projeto do gasoduto Poder da Sibéria 2, que é crucial para a China e uma alternativa vital para a Rússia, especialmente após a queda nas exportações de gás para a Europa. O gasoduto, que poderá transportar cerca de 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, é considerado estratégico para Pequim em meio a riscos nas rotas marítimas.