O deputado federal Kim Kataguiri, pré-candidato ao Governo de São Paulo, manifestou apoio a uma ação mais enérgica da Polícia Militar contra os estudantes que ocupavam a reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Ele argumentou que os alunos deveriam ser expulsos da instituição e enfrentar consequências legais por suas ações.
As declarações de Kataguiri surgiram após uma operação policial que ocorreu na madrugada de domingo, resultando na retirada de alunos que estavam no prédio há três dias. Relatos de estudantes indicam que a PM utilizou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes durante a ação, que culminou na detenção de quatro alunos.
O parlamentar criticou a ocupação, afirmando que a intervenção policial deveria ter sido realizada antes da instalação das barracas.
A polícia deveria ter descido a borracha antes de a primeira barraca ter sido colocada no chão — declarou.
Kataguiri também se posicionou contra o movimento grevista que, desde 15 de abril, afeta mais de cem cursos da USP. Ele afirmou que "não existe greve estudantil" e que é inaceitável impedir o trabalho de professores e o aprendizado de estudantes, independentemente das reivindicações.
Caso seja eleito governador, o deputado prometeu não negociar com os manifestantes, enfatizando que sua administração buscaria expulsar os participantes da ocupação e responsabilizá-los judicialmente. Ele ressaltou que a USP pertence a todos os contribuintes do estado de São Paulo, não sendo uma propriedade de um grupo restrito.
As demandas dos estudantes incluem um aumento na bolsa permanência, que atualmente é de R$ 885, para cerca de R$ 1.000, além de melhorias nas moradias e nos restaurantes universitários.
A operação da PM gerou críticas da própria USP, que afirmou não ter sido informada previamente sobre a ação e repudiou a entrada dos policiais no campus. A Secretaria de Segurança Pública declarou que a operação envolveu 50 agentes e ocorreu após tentativas de diálogo que não tiveram sucesso, destacando o uso moderado da força.
Estudantes, no entanto, relataram agressões, e cinco alunos foram internados no Hospital Universitário após a ação.
Enquanto Kataguiri adotou um tom de confronto, outros pré-candidatos ao governo paulista optaram por uma abordagem mais cautelosa. O governador Tarcísio de Freitas não se manifestou sobre a greve ou as alegações de violência policial. Por outro lado, o ex-ministro Fernando Haddad comentou que as cenas do domingo evidenciam a falta de diálogo e a falência dos canais de escuta.
O ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, também se posicionou, afirmando que as reivindicações dos estudantes devem ser feitas respeitando o patrimônio público, mas defendeu a investigação de possíveis excessos por parte da polícia.
Kim Kataguiri deixou o União Brasil em março deste ano para se filiar ao partido Missão, fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), do qual é um dos fundadores.