O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou as demandas dos Estados Unidos, considerando-as excessivas. Em contrapartida, o Irã apresentou uma proposta que, segundo autoridades, é responsável e generosa. O plano inclui o fim das hostilidades em todas as frentes, a interrupção das ofensivas israelenses no Líbano, a retirada de sanções americanas, o desbloqueio de ativos iranianos e o término do bloqueio naval imposto pelos EUA.
Um ponto central nas negociações é o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima onde cerca de 20% do petróleo mundial é transportado. Recentemente, a região tem sido palco de ataques militares e bloqueios navais, resultando em aumento nos preços do petróleo e preocupações com a segurança energética global. O Irã impõe restrições ao tráfego no estreito e busca reconhecimento de sua soberania na área, enquanto os EUA exigem a suspensão do bloqueio e condições relacionadas ao programa nuclear iraniano.
O conflito entre EUA, Israel e Irã teve início em fevereiro, após ataques a instalações iranianas. Embora um cessar-fogo temporário tenha sido acordado em abril, a violência persiste, com confrontos e bloqueios que mantêm a instabilidade na região. A Organização Marítima Internacional estima que cerca de 1.500 navios-tanque e 20 mil marinheiros estão retidos devido à crise. Em resposta, potências europeias consideram a formação de uma força-tarefa internacional para garantir a navegação no estreito.
Além dos desafios militares e diplomáticos, o Irã enfrenta uma crescente crise econômica. Cortes obrigatórios no consumo de energia foram implementados, e há relatos de queda nas reservas de medicamentos, inflação elevada e perda do poder de compra. As expectativas são de que não haja avanços significativos nas negociações antes do encontro entre o presidente dos EUA e o presidente da China, programado para esta semana.